O segredo da vitalidade de Ney Matogrosso no palco, aos 83 anos, pulando e dançando sem parar por 1h30min, com 20 músicas escolhidas pela sua alma musical, não é revelado, mas é coerente com a carreira que desde 1971 concilia performance, coragem, dança, com voz rara de contratenor ou “tenore bianco”. O show “Bloco na Rua”, quarta à noite, no Auditório Araújo Vianna, começou às 21h12min, com a música-tema da turnê, “Bloco na Rua”, de Sérgio Sampaio. Diante da superlotação do auditório com 4.300 pessoas, 25% das pessoas em pé nas laterais, Ney começou a desfilar belas músicas, que ganham mais força com a sua interpretação, como foi o caso de “Jardins da Babilônia”, de Rita Lee, e “O Beco”, dos Paralamas do Sucesso. As duas canções de Itamar Assumpção do setlist demonstram que este show também é crítico e representa a vanguarda paulista: “Já Sei” e “Já que tem que”.
O show teve o ensandecimento dos fãs e o coro afinado de 4 mil vozes cantando todas as canções, com gritos de “lindo”, “gostoso” e “maravilhoso”. A arte no telão com as penas de um pavão completam o cenário de Luiz Stein aparecem em “Pavão Mysteriozo”, de Ednardo, e acaba destacando mais o figurino dourado de Ney, criação de Lino Villaventura, sob a luz de Juarez Farinon. Uma das canções do repertório foi escolhida do compacto duplo “Ney Matogrosso e Fagner”, lançado em 1975: “Postal do Amor”(Fagner/Fausto Nilo/Ricardo Bezerra).
Houve também clássicos do cancioneiro nacional, como “A Maçã”, de Raul Seixas, “Yolanda”, de Pablo Milanés, e “Tua Cantiga”, de Chico Buarque. Em determinado momento do show, Ney sai do palco para alguma necessidade no camarim, a luz apaga durante poucos minutos e ele volta melhor ainda. Há espaço no show para “Mesmo que Seja Eu”, “O Último Dia” e “Sangue Latino”, esta música de João Ricardo e Paulo Mendonça, eternizada pelos Secos & Molhados. O bis foi gigante e teve “Como 2 e 2”, “Poema”, “Balada do Louco” e “Pro Dia Nascer Feliz”.
Quando parecia que o show havia acabado, Ney volta enrolado em uma toalha de cara lavada e canta “Homem com H”, pula e dança freneticamente, cantando “porque eu sou é homem e como sou”, incluída no repertório mais recentemente por causa da sua cinebiografia. A banda do show reúne Sacha Amback (direção musical e teclado), Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussão), Dunga (baixo), Mauricio Negão (guitarra), Aquiles Moraes(trompete) e Everson Moraes (trombone).