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"O Brasil poderia ser um dos melhores do mundo no balé"

Diretor artístico do Ballet Imperial da Rússia, Gediminas Taranda, concedeu entrevista exclusiva ao Correio do Povo

Coreografia é inspirado na tragédia escrita por William Shakespeare
Coreografia é inspirado na tragédia escrita por William Shakespeare Foto : Lubov Sergienko / Divulgação / CP
Nesta quinta-feira, às 21h, uma das mais respeitadas e admiradas companhias de dança clássica do mundo, o Ballet Imperial da Rússia, se apresenta no Teatro do Sesi (avenida Assis Brasil, 8787). A atração escolhida para esta apresentação em Porto Alegre é "Romeu e Julieta", coreografia de Leonid Lavrovskiy e Gediminas Taranda, a partir de suíte em três atos, composta pelo compositor russo Sergei Prokofiev, entre 1935 e 1936.

O balé em três atos e treze cenas tem 2h20min de duração, com mais dois intervalos de 20 minutos. Os ingressos para o espetáculo custam entre R$ 80,00 e R$ 150,00 e podem ser encontrados na Loja Bellenzier Pneus (Dom Pedro II, 1168), das 12h às 18h. Informações e telentrega: (51) 3231-4142.

O diretor-artístico do Ballet Imperial da Rússia é Gediminas Taranda, considerado um dos principais responsáveis pela renovação do ballet clássico na Rússia e no mundo. Na coreografia de "Romeu e Julieta", a partir do texto trágico de William Shakespeare, é possível ver o estilo canônico do caráter do dançarino de balé, o esboço dramático no qual o público percebe a harmonia da flexibilidade e a expressão de sentimentos com admiração. Isso se percebe seja no pas de deux dos bailarinos Maria Sokolnikova e Nariman Bekzhanov, como os jovens filhos de famílias rivais Montecchio e Capuletto, conhecendo o amor com um desfecho trágico, ou então nas danças de enfrentamentos por espadas, muito comuns nos repertórios russos, com uma qualidade técnica incomparável.

A ideia de criar o Ballet Imperial da Rússia surgiu durante a apresentação dos concertos de aniversário de Maija Plisetzkaya, no Japão, a partir de um programa composto por Gediminas Taranda. A companhia foi criada em abril de 1994.

Em entrevista concedida por e-mail ao Correio do Povo, Gediminas Taranda diz que o balé russo atingiu a perfeição por ser colocado em primeiro lugar na cultura do país. Em relação a isso, Taranda destaca que o potencial do Brasil para ser um dos melhores do mundo é enorme, bastando apenas que o país utilizasse a sua facilidade para o aprendizado da dança, a ginga, as boas noções de flexibilidade e equilíbrio para colocar o balé em primeiro lugar. Acompanhe a entrevista com Taranda na íntegra:

Correio do Povo - Quais as principais características do Ballet Imperial da Rússia?
Gediminas Taranda -
Perfeição, dedicação, amor e cultura. Para nós, o ballé é como a educação fazer parte da vida das pessoas. Nós temos escolas que ensinam balé como se ensina Matemática, Química e etc. Então para nós o ballet é parte da nossa cultura como o futebol é para o Brasil. Assim, você não pode explicar por que você gosta, você simplesmente ama o balé.

CP - Todos os críticos falam da capacidade de renovação de coreografias tradicionais (Quebra-Nozes, Lago dos Cisnes, Paquita) que possui esta companhia. Quando este processo de renovação coreográfica se iniciou?
Taranda -
Em 1993, a coreógrafa Maija Plisetskaya me perguntou se eu faria uma coreografia para ela durante a Gala de aniversário dela. Eu respondi que achava muita boa a ideia. Ela gostou muito do resultado e disse que queria fazer isto mais vezes porque eu era bom nisto. Assim, eu somente a segui e depois, nós fizemos uma série de mudanças trazendo para o repertório do Ballet Imperial da Rússia.

CP - Como é o intercâmbio do Ballet Imperial da Rússia com outros grupos nestas turnês?
Taranda - É perfeito, nós aprendemos muito a respeito dos países, sobre a cultura destes locais e tentamos passar um pouco a respeito de nós, nossa cultura, nosso país, nossas músicas e eu penso que estamos fazendo bem este intercâmbio.

CP - Fale-nos a respeito da coreografia "Romeu e Julieta" (processo de criação, tempo de treinamento etc)?
Taranda - Levou um ano para que a companhia estivesse 100% dentro do repertório. Isto significa muitas, mas muitas horas de ensaio, mas ainda não tínhamos um número. O tempo estava nos meus olhos. Quando eu via que algo era bom começarmos a viajar na ideia. Sobre Romeu e Julieta foram dois anos até que meus bailarinos conseguir trabalhar bem com as minhas modificações. Luzes especiais eram sempre muito importantes quando queríamos fazer o casal brilhar e meus primeiros bailarinos precisavam brilhar pois eles eram as estrelas da minha companhia.

CP - O que você pensa sobre o atual estágio do balé brasileiro?
Taranta - Eu acho que o Brasil está muito bem. Todos no Brasil têm um bom equilíbrio com a dança, flexibilidade, ginga. As pessoas têm muita facilidade para aprender. Eu penso que o país tem possibilidade de ser um dos melhores do mundo em dança. Para isto, o Brasil só precisa colocar a dança em primeiro lugar, como nós fazemos, como uma cultura. A dança no Brasil tem muito destaque, é famosa pelo mundo, mas não o balé. Porque não fazer isto com o balé?

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