Arte & Agenda

O catálogo "Declinações Magnéticas" será lançado nesta quinta-feira

Evento cultural ocorre no Instituto de Artes da Ufrgs

Anisotropia (Janus Vai-e-Vem). Instalação: cerâmica, cordas e metal. Medidas totais variáveis.
Anisotropia (Janus Vai-e-Vem). Instalação: cerâmica, cordas e metal. Medidas totais variáveis. Foto : Ío / Divulgação / CP

O lançamento do catálogo “Declinações Magnéticas” ocorre nesta quinta-feira, às 18h, na Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, no Instituto de Artes da Ufrgs (rua Senhor dos Passos, 248), Centro Histórico, em Porto Alegre. O projeto da Torus, idealizado pelos artistas Lara Cattani e Munir Klant, compreende, além do lançamento do livro, a disponibilização de obras em plataforma digital e a realização de simpósio.

O evento marca um momento importante do projeto homônimo, que conecta arte, ciência e imaginação em torno da percepção dos campos magnéticos. Criado em 2016, o projeto parte da hipótese de que seres humanos podem perceber campos magnéticos, ainda que sem linguagem consolidada para descrever essa experiência.

A pesquisa se desenvolve entre experimentações científicas e elaborações poéticas, mobilizando a ideia de um sentido latente, pouco explorado no contexto contemporâneo. O campo magnético terrestre, condição fundamental para a existência da vida, é compreendido tanto em sua dimensão física quanto simbólica, como força originária que atravessa processos vitais e modos de orientação no mundo.

A investigação se estrutura em duas frentes. De um lado, a Ío, em colaboração com cientistas e inventores, busca compreender o campo magnético e desenvolver dispositivos que permitam compartilhar a percepção magnética entre humanos. De outro, o projeto se desdobra no campo artístico, elaborando narrativas que abordam o magnetismo como força mítica, capaz de orientar e produzir sentido.

Entre os resultados, está o livro "O Obscuro Objeto da Magnetorecepção”, publicado pelo selo Névoa. A obra reúne trabalhos de Ío e textos de Daniel Acosta Avalos, Francisco Marshall, Leonardo Heidemann, Nathan Willig, Rualdo Menegat e Ulisses Carrilho. Com 160 páginas, a publicação articula registros visuais, ensaios críticos e reflexões produzidas ao longo do projeto, estabelecendo um diálogo entre investigações científicas e processos artísticos. A versão digital é disponibilizada gratuitamente, em formato acessível, com descrição de imagens e compatibilidade com leitores de tela.

O projeto também apresenta um conjunto de obras e pesquisas reunidas em ambiente digital. A plataforma disponibiliza imagens, conceitos, processos e fichas técnicas, permitindo acesso contínuo ao desenvolvimento dos trabalhos e às experimentações realizadas. O espaço virtual funciona como extensão da pesquisa, favorecendo a circulação pública dos conteúdos.

Outro eixo é o simpósio Narrativas Contrafactuais do Magnetismo, que reúne artistas, pesquisadores críticos e cientistas. O encontro compartilha resultados da pesquisa, processos criativos e aplicações da magnetopercepção na arte, com foco em estudantes e professores da universidade pública e do Prouni, além do público em geral. Realizado em formato online, o simpósio conta com recursos de acessibilidade, incluindo legendas e interpretação em Libras.

Saiba mais sobre o projeto pelo site Torus.

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