O homem que será imortal nas telas

O homem que será imortal nas telas

Crítico de cinema e editor de cultura do CP, Marcos Santuario, presta sua homenagem textual ao ator Sean Connery, que morreu no sábado

Marcos Santuario

O ator vivia nas Bahamas e em 1993 foi obrigado a se submeter à radioterapia para eliminar nódulos na garganta

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Há personagens que permanecem no imaginário dos cinéfilos, mesmo após a morte daqueles que lhe deram vida. Pois a vida que o ator Sean Connery deu ao charmoso e sempre eficiente espião britânico James Bond, é um destes casos. Nem a morte de Connery, ocorrida no último sábado, fará esquecer das características que imprimiu ao famoso 007. Aos 90 anos, completados no dia 25 de agosto, Connery vivia em Nassau, nas Bahamas, com a mulher, a artista franco-tunisiana Michelline Roquebrune, quem declarou que Sean Connery sofria de demência e morreu dormindo.

Desde a década de 1960 quando tornou-se o rosto e o estilo que plasmou a existência do agente secreto, criado pelo escritor Ian Fleming, Connery marcou o universo cinematográfico para sempre. Mas, alguns descobrirão somente agora que ele foi muito além de James Bond, deixando sua marca em outras grandes atuações. Em 1971 deixou de viver novos episódios da franquia 007. Pelo menos em roteiros inéditos. Sua última aventura assim, na pele do charmoso e infalível agente, foi em “Os Diamantes são Eternos”, de 1971, de Guy Hamilton. Antes disso encarnou Bond em tramas de 1962 - “007 Conta o Satânico Dr. No” - a 1967, quando fez “Com 007 Só Se Vive Uma Vez”. Connery voltaria a viver Bond em 1983, com “007 Nunca Mais Outra Vez”, espécie de refilmagem de “007 Contra a Chantagem Atômica”, de 1965. Vale “maratonar”.

Mas a carreira cinematográfica de Sean Connery plasmou-se também em outras produções que se tornaram importantes e se popularizaram. Entre elas, “O Homem que Queria Ser Rei”, “O Nome da Rosa”, “Os Intocáveis”, “Caçada ao Outubro Vermelho” e “Robin e Marian” (ao lado de uma Lady Marian interpretada por Audrey Hepburn). Foi pai de Harrison Ford em “Indiana Jones e a Última Cruzada”, de 1989, de Steven Spielberg, além de guerreiro imortal em “Highlander”. Por sua contribuição às artes e ao Império Britânico, foi sagrado Sir pela Rainha Elizabeth II, em 2000. 

O jovem que começou a vida ativa como leiteiro na cidade em que nasceu, seguindo as orientações do pai católico e da mãe protestante, além de servir na Marinha Real, foi motorista de caminhão e modelo vivo no Colégio de Artes de Edimburgo, daqueles que ficam nus e estáticos para artistas em criação. Graças a uma úlcera saiu da Marinha e ganhou um futuro de outras possibilidades. Sua primeira ação no mundo das artes foi no musical chamado South Pacific. Mas foi um terceiro lugar no concurso de Mister Universo, com seus 1,89 de altura, que lhe abriu caminho para a atuação. 

Em 1954 iniciou sua carreira nas telas, em papéis secundários no cinema e na TV. Chegou até a integrar o elenco de um filme de Tarzan em 1959, com Gordon Scott. Trabalhou para Alfred Hitchcock em 1964, em “Marnie”, e para Sidney Lumet em cinco oportunidades desde a notável “A Colina da Desonra”, em 1965. Em 2008 lançou sua tão esperada biografia, intitulada “Being a Scot” (“Ser Escocês”). De lá para cá participou de documentários, vídeo games, produções para televisão e emprestou sua potente voz para animações. Com tudo isso fica nas telas e na História para sempre. 

 


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