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Já o novo filme do diretor taiwanês Ang Lee, "As Aventuras de Pi", baseado em livro de Yann Martel, consegue ser paradoxal em sua narrativa. Se, por um lado, tem a ousadia de ser um filme épico, no sentido da jornada pessoal do protagonista, filmado em 3D, com dezenas de efeitos digitais, por outro lado, sua narrativa é extremamente simples, contada à maneira de um Malba Tahan ou de Sherazadde, de "As Mil e uma Noites", com elenco sem grandes estrelas, exceto Gérard Depardieu e Tobey Maguire.
Um Piscine Patel mais velho (Irrfan Kahn) encontra um jornalista canadense e lhe convida para jantar. Assim, começa a lhe contar a sua jornada, de Piscine Patel, apelidado de Pi (Suraj Sharma) em sua infância na Índia. Até aí, um filme comum. Só que a história é verdadeiramente épica, pois Pi viaja com a família levando ao Canadá os animais do zoológico que eles administravam na Índia.
Após uma tempestade, o cargueiro naufraga e, mesmo contra a vontade, pois está perdendo sua família, ele é colocado em um bote salva-vidas junto com outros animais, mas só ele e o tigre-de-bengala, apelidado de Richard Parker, sobrevivem e ficam à deriva, enfrentando perigos, aprendendo a conviver com a fome, sobrevivendo cada um à sua maneira.
Em uma das digressões, aparece a origem do apelido Pi, que era o equivalente a Pipi no Brasil, mas ele luta contra isso e quer ser chamado de Pi, sendo o único aluno capaz de saber os números do Pi, os 3,1415 e mais dezenas de números, para espanto dos professores. Durante e após o naufrágio, na aventura propriamente dita, estão os méritos do filme. As ondas gigantes criadas em tanque com 6,4 milhões de litros de água saltam aos olhos literalmente no 3D e a aventura de conviver com o tigre (foram utilizados quatro animais), concatenada com cenas de mar aberto e uma ilha carnívora, com efeitos digitais, fazem desta uma aventura agradável, mas aquém de outros filmes de Lee.
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