De 3 a 21 de setembro, o Em Cena vai apresentar mais de uma dezena de atrações que revelam esse lado inusitado – e, por vezes, até visto como alternativo – do festival. Da orquestra à dança, da música à conferência, do teatro tradicional a experimentações com o futebol, há muitas opções para conferir.
Para você se programar, listamos abaixo algumas dessas montagens que merecem, de verdade, a sua atenção. Confira:
“Gonzo Conference”
Este espetáculo francês tem um formato diferente: alterna performance e conferência. Em alguns momentos, tudo é encenação, com direito a música e dança. Em outros, é uma simples palestra que ganha o palco. Isso porque a montagem, criada e dirigida por Fanny de Chaillé, se propõe a explicar detalhadamente as diversas reverberações do rock nos anos 70, especificamente nos Estados Unidos.
Para isso, usa como pano de fundo o “jornalismo gonzo”, um gênero que surgiu e ficou famoso na época, e a visão de Lester Bangs, jornalista e músico que foi símbolo da liberdade de expressão e da contracultura do período. A ideia é conseguir, assim, manter a atenção do público para que cada espectador compreenda a história e os fatos narrados.
O espetáculo será encenado nos dias 11, 12 e 13 de setembro, sempre às 18h, na Sala Álvaro Moreyra (Erico Verissimo, 307). Os ingressos custam R$ 60 (inteira).
“P-U-N-C-H”
Uma ópera multimídia. Essa é a tradução mais aproximada do que é “P-U-N-C-H”, um espetáculo polêmico que trata da aliança entre a gigante da tecnologia IBM e a Alemanha nazista. A montagem coloca em cena uma orquestra – que fica ao fundo do palco e não em fosso como normalmente acontece em óperas -, um coro e dançarinos, além de vídeos e da narração de textos e poemas escritos por vítimas do Holocausto.
Livremente adaptada da obra de Edwin Black, a peça descreve, com muito som e movimento, como essa parceria possibilitou que o Terceiro Reich identificasse, localizasse, prendesse e transportasse judeus, homossexuais, ciganos e todos os indesejáveis ao futuro do país.
As apresentações acontecem nos dias 15 e 16 de setembro, às 20h, no Teatro Renascença (Erico Verissimo, 307). Os ingressos custam R$ 30 (inteira).
“Guiomar, a filha da mãe”
Com texto inédito em forma de cordel, a peça vem de Pernambuco contar casos e acasos da história do Brasil em um enredo que gira em torno da personagem Guiomar. Acompanhada de uma carroça de ferro que parece passear pelas ruas, ela para e encontra no público o dono de um comércio ou uma senhora na janela de casa. Para eles, conta suas recordações, muitas vezes embaladas por um tambor e músicas importantes para nossa cultura.
Em tempos sombrios para a política no país, a montagem fala, com muito humor, de outros momentos difíceis e ainda muito presentes na memória nacional, como grandes navegações portuguesas, a colonização, a inquisição e a formação das primeiras famílias no nordeste brasileiro.
As apresentações acontecem nos dias 14 e 15 de setembro, às 19h, no Teatro do SESC (Alberto Bins, 665). Os ingressos custam R$ 60 (inteira).
“Rei Lear”
A adaptação da tragédia teatral de William Shakespeare já começa diferente porque tem apenas três atrizes em cena. Elas são responsáveis por interpretar as dezenas de personagens que compõem o forte enredo que trata de questões bastante atuais, como a construção de estruturas de poder, injustiças sociais e o tratamento do idoso e das mulheres.
Além disso, a peça tem a trilha sonora executada ao vivo, mesclando canções populares e música eletrônica. Um dos fatos curiosos da montagem é que uma terra preta cobre todo o palco e cria o ambiente projetado para a história.
O espetáculo terá apresentações nos dias 17, 18 e 19 de setembro, sempre às 21h, no Centro Histórico-Cultural Santa Casa (Independência, 75). Os ingressos custam R$ 60 (inteira).
“Hamlet Futebol Clube”
A famosa frase “Ser ou não ser, eis a questão” ganha uma nova roupagem em “Hamlet Futebol Clube”. Com um tom mais simples e cotidiano, a montagem faz uma releitura moderna de uma das principais peças de Shakespeare. O texto, que faz uma crítica social sobre luta por poder e corrupção, é apresentado em meio a uma partida de futebol de rua. No campo improvisado por linhas de giz, homens deixam a bola rolar, divididos em times cujos capitães são o príncipe dinamarquês Hamlet e seu tio, o rei Cláudio.
A trilha sonora composta de rock e MPB, faz as "mocinhas" da trama entrarem em cena em determinados momentos, quebrando o clima de disputa e tensão ao declamarem versos e cantarem. As apresentações são gratuitas e acontecem no Monumento Expedicionário do Parque Farroupilha no dia 19 de setembro, às 11h, e no dia 20, às 15h.