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“O livro tem que fazer falta”, diz Valter Hugo Mãe

Escritor angolano conversou sobre sua obra e autografou o livro "nosso reino" na noite deste domingo na Feira

Escritor angolano conversou sobre sua obra e autografou o livro "nosso reino" na noite deste domingo na Feira
Escritor angolano conversou sobre sua obra e autografou o livro "nosso reino" na noite deste domingo na Feira Foto : Emerson Machado / CRL / CP
O escritor angolano Valter Hugo Mãe conversou com o público na noite deste domingo na Sala dos Jacarandás do Memorial RS, como parte integrante da programação da 58ª Feira do Livro de Porto Alegre. O evento teve mediação da professora e escritora Jane Tutikian e do escritor e músico Pedro Gonzaga. Logo em seguida autografou seu livro "nosso reino" (editora 34). O romance trata da história de uma criança de oito anos, que vê o mundo e as coisas como manifestações da voz de Deus. Criado em família extensa, o narrador assiste ao esvaziar da casa. Autor de cinco romances, o angolano se notabilizou por receber o prêmio José Saramago em 2007 pela obra "o remorso de baltazar serapião". Vale lembrar que até "O Filho de Mil Homens" (2011), seu mais recente romance, o nome do autor e dos livros eram sempre grafados em letras minúsculas.

Dentre os tantos assuntos que abordou um chamou a atenção ao falar da crise em Portugal. "Eu estava conversando com a Bianca (Rosa, jornalista da assessoria da Feira) e ela me perguntou como eu vivo na cidade do Porto. Eu respondi que por causa da crise que estamos a atravessar, eu vivo no Porto triste e vocês vivem no Porto Alegre. A tristeza da alma é um tópico muito português", ressaltou.

Sobre o seu processo de escrita, o autor disse que ele é muito arrastado pelo texto. "Os textos têm uma energia intensa que me transcende. Não sei trabalhar de modo esquemático". Jane Tutikian interveio perguntando se então o tema escolhe a forma? Ao que ele respondeu que em "o remorso de baltazar serapião", o tema da violência histórica dos homens contra as mulheres é um dos condutores da narrativa.

A respeito dos livros em si, o escritor lembrou que eles não são autobiográficos quando ele escreve, mas acabam sendo autobiográficos quando viram o romance. "O livro vai ser sempre capaz de fazer de mim o que eu não era. Ao fim de cinco romances, sinto que escrever qualquer livro já não serve. Tenho que ver o que posso fornecer de original às centenas de páginas que escrevi, o livro tem que fazer falta quando acaba", finalizou.

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