Dentre os tantos assuntos que abordou um chamou a atenção ao falar da crise em Portugal. "Eu estava conversando com a Bianca (Rosa, jornalista da assessoria da Feira) e ela me perguntou como eu vivo na cidade do Porto. Eu respondi que por causa da crise que estamos a atravessar, eu vivo no Porto triste e vocês vivem no Porto Alegre. A tristeza da alma é um tópico muito português", ressaltou.
Sobre o seu processo de escrita, o autor disse que ele é muito arrastado pelo texto. "Os textos têm uma energia intensa que me transcende. Não sei trabalhar de modo esquemático". Jane Tutikian interveio perguntando se então o tema escolhe a forma? Ao que ele respondeu que em "o remorso de baltazar serapião", o tema da violência histórica dos homens contra as mulheres é um dos condutores da narrativa.
A respeito dos livros em si, o escritor lembrou que eles não são autobiográficos quando ele escreve, mas acabam sendo autobiográficos quando viram o romance. "O livro vai ser sempre capaz de fazer de mim o que eu não era. Ao fim de cinco romances, sinto que escrever qualquer livro já não serve. Tenho que ver o que posso fornecer de original às centenas de páginas que escrevi, o livro tem que fazer falta quando acaba", finalizou.