Ele passou a semana no terminal 5, um dos mais movimentados do aeroporto. Ali, nada escapou ao seu olhar. "Separação, esperas, chegadas e o dia a dia de quem ali trabalha. Basta observar para ver o quanto um aeroporto diz sobre nós e o mundo que criamos", diz a apresentação da obra. Aeroporto é um lugar de encontros, de desencontros, de sonhos, de decepções, de alegrias, de tristezas, de despedidas, de recepções e de solidões. Enfim, de todas as emoções. E é assim que flui o livro de Botton. Quem viaja e gosta de curtir a vida de aeroportos sabe que tudo isso realmente acontece. No aeroporto, vemos nossa bagagem que vai, nossa bagagem que vem. E, em outras ocasiões, bagagem que nunca chega. Outras até chegam, mas muitos dias depois. Tomamos cafezinho. Fazemos compras. Conversamos aleatoriamente com quem quer que seja. Vemos casais apaixonados.
E vemos também choros, dores e saudades sendo aliviadas depois de anos de distâncias que só os aviões aproximam. Assim, se sente quem viaja para todos os cantos. Há aeroportos de todos os tipos, mas todos têm encantos e mistérios.
Quem gosta de viajar sente isso em cada aeroporto que chega. É o primeiro impacto de um lugar. As primeiras imagens, as primeiras pessoas, os primeiros olhares de um lugar. Dependendo para onde se vai, cidade grande, pequena, média, a expectativa que se cria de um aeroporto é sempre diferente. As surpresas acontecem em todos os lugares.
O Aeroporto de Lima, no Peru, é um exemplo de agradável surpresa. Ali, tudo funciona, na expectativa de um viajante. Tudo tem o seu tamanho. É grande, com boas lojas, bom trânsito, fluxo fácil, gente amável. Natal, aqui no nosso Rio Grande do Norte, é bonito. Tem uma arquitetura que também nos deixa encantados. Os aeroportos de dois monumentos mundiais da natureza - Fernando de Noronha no Brasil e Galápagos no Equador, um no oceano Atlântico, outro no Pacífico - são simples, mas a expectativa do que virá pela frente os transforma. Ganham dimensão de grandeza.
O gigantismo do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, causa impacto. É tão grande, tão imenso, mas parece tão pequeno. Um gigante dividido em gigantinhos torna tudo tão suave e fácil que nos deixa em casa. Frankfurt e Munique, na Alemanha, nos proporcionam bons momentos. Ali há grandes janelas e se observa calmamente aviões que sobem e que descem de todos os lados do mundo. São lugares que revelam caras e bocas da Austrália à Groenlândia, da África do Sul à Ucrânia e assim por diante. Em Tel Aviv, a segurança é rígida. Antes mesmo de entrar no saguão do aeroporto já há controle de malas. Precaução contra o terror. Todo viajante ali é um potencial terrorista.
Amsterdam é ótimo para compras. Os folhetos dizem que são 40 mil itens à disposição dos passageiros. É bom passear por ali. Nova Iorque e Los Angeles são espetaculares, mas desanimadores. Só em pensar na carranca da imigração americana já dá vontade de recuar e ir embora.
Em Dallas, Texas, até prendem a gente numa sala e fazem um monte de perguntas. Acham que estás ali mentindo e querem te mandar embora. Obrigam o visitante a pagar multa e dão quatro dias para sair do país. Em compensação, para alguns, Malpensa, em Milão, trata o passageiro com carinho e gentilezas, mesmo no meio da balbúrdia e da confusão, bem típicas dos italianos. Zurique, na Suíça, é clássico, sério, firme, burocrático, sem lero-lero. Direto ao ponto. O aeroporto de Glasgow, na Escócia, também é daqueles que deixam ótima impressão. É prático e tem ótimos funcionários.