Arte & Agenda

"O Mistério de Irma Vap" está de volta a Porto Alegre

Besteirol com Mateus Solano e Luís Miranda estará no Teatro do Sesi, neste sábado e domingo

Mateus Solano e Luís Miranda dão vida a personagens humanos e assombrações, no espetáculo de humor
Mateus Solano e Luís Miranda dão vida a personagens humanos e assombrações, no espetáculo de humor Foto : Priscila Prade

Jorge Farjalla assina a adaptação e direção de “O Mistério de Irma Vap”, que estreou em 2019, teve uma pausa por conta da pandemia e volta a turnê, chegando a Porto Alegre neste sábado, às 21h e domingo, 18h, no Teatro do Sesi (Assis Brasil, 8787). Mateus Solano e Luís Miranda dão vida às inúmeras personagens da comédia, fazem incansáveis trocas de figurino e movimentam o cenário. Os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla e no local, 2h antes de cada apresentação. 

Escrita pelo inglês Charles Ludlam e montada pela primeira vez em 1984, por seu grupo, a versão brasileira veio em 1986, com Ney Latorraca e Marco Nanini atuando sob a direção de Marília Pera. O sucesso foi tamanho que ficou onze anos consecutivos em cartaz, o que garantiu o registro no Guiness World Records. “Creio que a virtuosidade de dois atores de talento seja o principal ingrediente de sucesso da peça. As trocas de roupa são impressionantes e acontecem numa velocidade vertiginosa. Tem horas que um personagem meu conversa com outro personagem meu e eu fico nesse esquema: faz uma pergunta, troca de roupa, responde, faz outra pergunta, troca de roupa, responde...”, afirma Mateus Solano.

A trama original se passa em uma mansão mal assombrada e conta a história de Lady Enid, a nova esposa do excêntrico Lord Edgar. Ela tem que conviver com as aparições do fantasma da primeira esposa de seu marido, Irma Vap, no lugar onde o filho do casal foi morto por um lobisomem. Na casa há uma governanta que se põe como rival da recém-chegada. Para retomar o amor de seu marido, Lady Enid come o pão que o diabo amassou e pratica peripécias divertidas. “Os personagens se equivalem”, diz Luís Miranda. “Enid é mais carismática, porque é uma vilãzinha de novela das seis; Lord é um grande fanfarrão e Vap é uma alegoria, brincamos com o vodu”, acrescenta. 

Esta versão é ambientada em um trem fantasma de um parque de diversões macabro. “Usamos como referência os filmes de terror, como ‘Pague para Entrar, Reze para Sair’, de Tobe Hooper; Rebecca, de Alfred Hitchcock e a estética dos anos 80. Mergulhamos também no universo do videoclipe de Thriller, de Michael Jackson, dirigido pelo cineasta John Landis. Além disso, a obra também tem várias citações de Shakespeare, principalmente de Hamlet. Desfragmentamos todas as camadas do texto para ver o que estava por trás dele e ressignificar a obra”, conta o encenador, Jorge Farjalla.

Para Mateus Solano, “o diretor se aproveita da linguagem do besteirol para virar os conceitos teatrais do avesso, expondo-os e fazendo uma bela homenagem ao teatro”. Sua opinião é reiterada pelo colega de palco, ao falar do figurino de Karen Brustolin, com peças que remetem a universos distintos que vão da era medieval a David Bowie. “Pesquisamos várias vertentes e fizemos uma coisa meio barroca. Feito em jeans com cara vitoriana e roupa de baixo customizada, que remete ao vodu”, diz Luis Miranda. O ator considera que a montagem se ressignificou com o Brasil e contempla o momento político que estamos vivendo. “Fala da questão racial e colocamos isto: a relação que está vivendo o negro, com todas as discussões que permeiam o racismo institucional”. 

 

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