Arte & Agenda

O pianista Amaro Freitas lança "Sankofa"

Disponível nas plataformas de música, o disco resgata histórias esquecidas, filosofias antigas e figuras inspiradoras do Brasil Negro

Amaro Freitas, ao lado de Jean Elton (baixo) e Hugo Medeiros (bateria), grava novo disco
Amaro Freitas, ao lado de Jean Elton (baixo) e Hugo Medeiros (bateria), grava novo disco Foto : Jão Vicente / Divulgação / CP

De uma periferia do Recife à promessa de ícone internacional do jazz, o pianista Amaro Freitas traz para “ Sankofa”, com  patrocínio da Natura Musical e realização da 78 Rotações, sua busca por histórias esquecidas, filosofias antigas e figuras inspiradoras do Brasil Negro.

Com a colaboração de Jean Elton (baixo) e Hugo Medeiros (bateria), que formam o Amaro Freitas Trio desde seu início, ele emprega intrincados padrões rítmicos e variações de compasso como se resignificasse os signos antigos de seus ancestrais. Cada faixa é imbuída de uma mensagem ou uma história que o pianista é compelido a contar.

Para Amaro, o álbum é um trabalho para tentar entender seus ancestrais, seu lugar e sua história como homem negro. “A história dos povos originários, das diversas etnias que ocuparam este território, de como somos plurais. O Brasil não nos disse a verdade sobre o Brasil. A história dos negros antes da escravidão é rica em filosofias antigas. Ao compreender a história e a força de nosso povo, pode-se começar a entender de onde vêm nossos desejos, sonhos e vontades", reflete.

Como todos os álbuns de Amaro, “Sankofa” levou cerca de três anos para ser feito, com o trio passando oito horas por dia, quatro dias por semana no estúdio. "Valorizamos o processo criativo. Sabemos que leva tempo para chegar a um lugar diferente, para entendê-lo e traduzi-lo. É dedicação, disciplina e sabedoria. Tenho o desejo de dizer às gerações futuras: vamos desacelerar, vamos nos dar mais tempo, vamos fazer coisas mais profundas. Vamos parar de nadar na superfície, vamos mergulhar", pontua.

O símbolo

Sankofa é um símbolo Adinkra - conjunto de símbolos ideográficos dos povos acã, da África Ocidental -, que representa um pássaro com a cabeça voltada para trás. Quando Amaro se deparou com ele em uma bata à venda em uma feira africana no Harlem, Nova York - bairro que historicamente foi palco de grandes pianistas do jazz como Thelonius Monk e Art Tatum -, compreendeu a importância do seu significado e fez dele o conceito fundamental para o seu novo álbum.

Discos anteriores

O posto de revelação do jazz internacional por "uma abordagem do teclado tão única que é surpreendente" (Downbeat) com o primeiros álbuns “Sangue Negro” (2016) e “Rasif” (2018), Amaro  inaugurou a parceria com a gravadora inglesa FarOut. Nos últimos anos, o pianista circulou por turnês no Brasil e exterior, em festivais como a edição nacional do Montreux Jazz Festival, e parcerias com Lenine (no projeto Em Trânsito) e Milton Nascimento e Criolo (EP Existe Amor: Cais e Não Existe Amor em SP).

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