Por Carolina Santos e Erica Sena
A 14ª edição da Bienal do Mercosul entrou em sua última semana. As exposições ocupam 18 espaços de Porto Alegre, desde o dia 27 de março. Este ano, o evento cultural foi marcado por diversas atividades do programa público como festas, oficinas e palestras. Para marcar o encerramento da edição, o núcleo de Programas Públicos da Bienal preparou uma festa especial, intitulada “Estalo de Rua”. O evento ocorre no sábado, dia 31, das 17h às 22h40min, na Praça Júlio Andreatta, entre as avenidas Ceará e Benjamin Constant, no bairro São Geraldo. São diversas atrações, com apresentação dos artistas Dessa Ferreira, Viridiana, Saskia, grupo Turucutá e Jessie Jazz.
Ainda há outras opções, como a oficina de desenho “Crônicas de Bairro” com Andréa Hygino, que acontece nesta quinta, dia 29. Também na quinta, às 19h, os filmes “Veraneio: Uma Antologia Negra” e “Terror Mandelão” serão exibidos na Cinemateca Capitólio, como parte do programa público Cine Estalo.
O que chama atenção nesta Bienal do Mercosul é a diversidade de países que integram a mostra. Dos 78 artistas, cerca de 65% são internacionais e grande parte dos trabalhos é comissionado. Como este é o último final de semana para aproveitar e explorar os trabalhos expostos, o Correio do Povo separou alguns destaques que estão imperdíveis.
Obras imperdíveis da Bienal do Mercosul:
📌Espaço Força e Luz
O foco é tecnologia. Quem passa pela Andradas pode ver na vitrine uma grande tela que reproduz o trabalho da paraguaia Kira Xonorika. Com temática futurista, na vídeo arte “Pluriverse”, comissionado pela Bienal, a artista usa ferramentas de IA, pintura e animações para criar vídeo que explora diversos ambientes e personagens.
📌Fundação Ecarta
É um dos locais que ficará um tempo marcada pela Bienal. Isso porque a fachada foi agraciada com linda pintura do arquiteto e engenheiro Freddy Mamani. O artista traz sua estética neo-andina em intervenção que se destaca em meio à cinzenta avenida João Pessoa, provocando despertar para os nossos sentidos.
📌Usina do Gasômetro
O local reabriu para a Bienal. É um ponto essencial para a visita, não só pelas obras, mas pelo saudosismo de estar fechado por anos. Entre os trabalhos, diversos são bem contemporâneos, brincando com os sentidos. Destaques são o fotógrafo Damián Ayma Zepita, que atravessou o planalto boliviano registrando festejos populares em cidades rurais, em meados do século 20. Nas 24 imagens da série, é possível ver trajes típicos e máscaras, com intimidade tocante.
Uma instalação, que é quase um monumento, chama atenção ao adentramos a Usina. É a obra do artista de Curaçao, Tirzo Martha. Intitulada “E Pesadiya a libra mi di mi soño” (O pesadelo me liberou do meu sonho), foi comissionada e consiste em escultura em grande escala, com pneus, simulacros de corpos e sacos de lixo, instigando o público a pensar sobre a ação humana na natureza.
📌Fundação Iberê Camargo
O que mais chama a atenção é a pluralidade de artistas e obras. A brasileira Letícia Lopes ganha destaque com obras em tom de mistério. Entre sombras e elementos, ela constrói enigmas que levam a refletir sobre o que poderia ser imaginação ou não. Destaque à Venuca Evanan Vivanco, do Peru. A simplicidade do cotidiano da comunidade de Sarhua, no sul do Peru, é retratada em pinturas ricas em detalhes que transportam os observadores à região.
📌Farol Santander
O que mais encanta é a possibilidade de entender tudo sem precisar entender nada. Aqui o objetivo é provocar e inspirar. Com obras que misturam o abstrato com o cotidiano, o destaque vai a pinturas que retratam de diversas formas o fim do mundo. O espaço, reaberto depois da enchente, ganha vida com obras que falam por si com o incentivo da imaginação de quem observa.