Maria Laura Suñe *
Querido por muitos gaúchos, o Margs teve que interromper suas atividades por tempo indeterminado, incluindo a grande exposição em comemoração de seus 70 anos, “Margs 70: Percursos de um acervo”. Considerado o principal museu de arte do RS e um dos mais importantes do país, o Margs conta com um acervo de mais de 5.700 obras de arte. Acervo esse que teve que ser realocado em reservas técnicas durante um protocolo rigoroso de emergência, na tarde do dia 3 de maio. “Tínhamos uma operação, eu estava dentro da reserva dando ordem, priorizando as obras que tinham que vir primeiro. É uma escolha difícil, mas tentamos levar o maior número de obras possíveis”, relata o diretor Francisco Dalcol.
Apesar de diversas obras terem sido salvas, o Margs sofreu uma perda significativa de documentos, computadores, equipamentos e materiais de trabalho. Por ser vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, o Museu contará com recursos governamentais para se reestruturar, o que está sendo tratado pela Sedac. “Nós temos bastante trabalho pela frente nesse sentido, a tragédia do Margs é uma tragédia dentro do setor cultural como um todo”, complementa Dalcol.
No Dia Internacional dos Museus, 18 de maio, o Margs reabriu as portas pela primeira vez após a enchente. Foi simbólico, visto que o Museu segue interditado e sem acesso seguro. Coincidentemente, aconteceria a inauguração da segunda parte da exposição de 70 anos.
Ainda não se sabe quando retornará à normalidade, mas Dalcol expõe o desejo de que o acervo do térreo não retorne mais ao andar: “Meu sentimento é que o andar térreo teria que virar uma espécie de memorial da tragédia, um espaço de uso que não envolva perda de patrimônio”. Dalcol finaliza falando dos desafios. “Não podemos deixar de contemplar a extensão dos estragos e danos que tivemos, seja na questão da dignidade, da vida e da sociedade, mas também material, dos equipamentos, patrimônios e acervos. O Margs é um museu que nos vemos nele”, desabafa.
* Supervisão de Luiz G. Lopes