Arte & Agenda

O rock de Lobão acertou novamente no Opinião

Músico apresentou o show “Elétrico” durante duas horas para quase mil pessoas em show que virou a madrugada desta quinta

Lobão revisitou carreira para mil fãs no Opinião
Lobão revisitou carreira para mil fãs no Opinião Foto : Juliano Antunes / Especial / CP
O músico que gravou verdadeiros clássicos nos anos 80 como “Ronaldo foi pra Guerra” (1984) e “O Rock Errou” (1986), que foi preso, flertou com as drogas, rompeu com o sistema e voltou com o Acústico MTV em 2007, levou quase mil fãs ao Bar Opinião na noite da quarta e início da madrugada de quinta. Lobão cantou, durante duas horas, 25 músicas de todas as fases da sua carreira solo, iniciada há quase 30 anos.

O show “Elétrico” começou às 23h03min da quarta-feira em um tom mais autoral sem o contágio da plateia. Com músicas como “Mal de Amor”, Bambina” e “O Grito”, Lobão foi preparando o aquecimento para as oitentistas “Canos Silenciosos”, do disco “O Rock Errou” e “Decadence Avec Elegance”, lançada como single em 1985. O túnel do tempo provocado por Lobão permitiu ver fãs dos 18 aos 60 anos cantando, pulando e dançando com a mesma energia do cinquentão Lobão. Ele mesmo que, no intervalo entre as músicas, pedia sempre um energético e também dizia que o show estava muito agradável e o Opinião muito aconchegante.

Músicas como “Os Tipos que eu Não Fui” e “El Desdichado” preparam para sucessos antigos comemorados pelos fãs como novinhos em folha, como “A Queda” e “A Vida é Doce”. O peso foi garantido com músicas como “Homem Bomba”, “Ronaldo foi pra Guerra” e “Robô Roboa”, esta a única música do primeiro disco solo “Cena de Cinema”, de 1982. Ainda teve espaço para “Vida Louca Vida”, em que ele cantou imitando a voz e os trejeitos de Cazuza.

Depois do peso, a baladeira. Lobão disse: “eu estou muito romântico esta noite” e começou a desfilar as suas principais músicas de amor, como “Noite e Dia”, “Me Chama” e “Essa Noite Não”. “Vida Bandida” e “Rádio Blá” ou “Blá, Blá, Blá, Eu Te Amo”, como também é chamada fez subir a temperatura do público, principalmente das mulheres que cantavam em voz alta “não dá para controlar, não dá, não dá para planejar, eu ligo o rádio e blá,blá”, enquanto o próprio Lobão se autoparodiava com “eu ligo o rádio e jabá”, em mais uma das suas duras críticas ao mercado musical e ao sistema de compra de espaço para músicas nas rádios, o famoso jabá. Ao final da música, ele apresentou a banda formada por Caruso (guitarra), Duda Lima (baixo) e Armando Jr. (bateria)

Lobão se despediu, mas o público partiu para o “mais um, mais um, mais um” e ele voltou três minutos depois só com voz e guitarra numa versão mais lenta de “Help”, dos Beatles, deixando a apoteose com “Corações Psicodélicos”, quando o relógio marcava pouco mais de uma da manhã. O rock de Lobão talvez tenha sido errante no final dos anos 90 e início dos 2000, mas novamente acertou neste início de setembro no Opinião.



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