Arte & Agenda

Obra "Arquitecrônicas" é lançada na 63ª Feira do Livro

Livro de Cesar Dorfman apresenta vicissitudes da profissão do arquiteto

Mesa sobre "Arquitecrônicas" teve participação de Edgar Vasques, Sergius Gonzaga e Cesar Dorfman
Mesa sobre "Arquitecrônicas" teve participação de Edgar Vasques, Sergius Gonzaga e Cesar Dorfman Foto : Luiz Gonzaga Lopes / Especial / CP
O arquiteto Cesar Dorfman domina todas as possíveis linhas que estruturam o projeto de um prédio, mas sobre aquelas mal traçadas linhas que compõem uma crônica, ele ainda diz não dominar. O que se percebe na obra "Arquitecrônicas" (Libretos, 184 páginas), lançada no fim da tarde desta sexta na 63ª Feira do Livro. O livro oferece um painel de personagens singulares e histórias surpreendentes.

Para os profissionais e estudantes de arquitetura, é um encontro divertido com as vicissitudes da profissão. Mais do que um profissional que desenha casas e edifícios, o bom arquiteto deve ser um pouco sociólogo, filósofo, psicólogo, conselheiro sentimental, mediador de conflitos, artista e inventor. O livro tem design gráfico de Flavio Wild e apresentação de Rafael Guimaraens, jornalista e escritor.

O painel “Arquitecrônicas, de um arquiteto escritor” com o Cesar Dorfman, o professor de Literatura, Sergius Gonzaga; e o chargista Edgar Vasques foi realizado na Sala Leste do Santander Cultural, seguido de sessão de autógrafos na Praça de Autógrafos, às 18h30min. Na abertura da mesa, Sergius Gonzaga exaltou que os arquitetos constituem uma categoria especial de pessoas, com “gosto pelas artes e uma sensibilidade especial para as coisas da cultura”.

“Li o livro em um dia e sei que o Cesar tem o domínio da escrita. Gostei muito do fato de ele evocar nas crônicas alguns grandes nomes da arquitetura, como Moacir Moojen Marques, Carlos Fayet e até alguns mais jovens como Sérgio Marques”, destacou Sergius. Vasques lembrou que se formou em Arquitetura e destacou a intertextualidade do texto de Cesar Dorfman. “Este livro flui na leitura, na simplicidade, no leque amplo de narrativas, desde coisas engraçadas como a história do arquiteto de Uruguaiana até críticas à falta de planejamento urbano das cidades e aos desmandos políticos numa crônica sobre a Câmara de Vereadores”, observou Vasques, lembrando que seria necessário mais livros de crônicas de arquitetos e alguns livros desmistificando e acessibilizando a arquitetura àqueles que não entendem do tema.

Arquiteto precisa ter uma cultura geral vasta

Cesar Dorfman agradeceu aos amigos de décadas pelos elogios e disse que não quis escrever um livro sobre arquitetura, mesmo sabendo frustrar alguns dos seus leitores. “Quando entrei na Arquitetura da Ufrgs, fui para o Diretório Acadêmico e, por ser músico, fui para a Cultura. Quando fui receber no aeroporto - para uma palestra que faria na Arquitetura - o crítico de arte Lourival Gomes Machado, ele disse uma coisa que sempre levei comigo: ‘O arquiteto que queira ser chamado de arquiteto precisa ter uma cultura geral vasta’. Assim, me dei conta que era mais importante adquirir conhecimentos em todas as áreas. Cursei a Escola de Artes, Composição e Regência e a cultura geral sempre pautou a minha vida”, ressaltou.

O “Arquiteto de Uruguaiana”, uma crônica que lembra uma situação quase causística ocorrida com o amigo arquiteto Andrione Prudêncio, trata de um arquiteto que precisava construir um local para o dono da casa cuspir que lembrasse o chão batido do galpão onde tomava o chimarrão com os amigos e posteriormente outro cliente pediu uma coifa para que eles pudessem soltar “alguns gases naturais”.

Cesar Dorfman é arquiteto, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1964. Nestes mais de cinquenta anos de profissão, acumulou um significativo currículo de projetos construídos e publicados. Na última década conquistou, com uma equipe de jovens arquitetos, quatorze prêmios em Concursos Nacionais de Anteprojetos e recebeu espaço especial na VII Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. De 1976 a 2010, trabalhou como professor da UFRGS. É também compositor, com vários prêmios em concursos e inúmeras músicas gravadas. No trabalho de compor canções, desenvolveu o trato com a escrita, levada adiante no livro de memórias Havana 63, lançado em 2013, e agora, em “Arquitecrônicas”.

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta deste domingo, dia 18 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio