Convertida em símbolo universal da crueldade da guerra, a tela em preto e branco de Picasso ficou fora do solo espanhol até 1981, por causa da longa ditadura do general Francisco Franco (1939-1975). "O Guernica tem um importante significado não apenas do ponto de vista artístico, no qual o seu valor universal é indiscutível, mas também por seu valor simbólico contra a guerra e toda a violência", explica o chefe de Coleções do Rainha Sofía, Rosario Peiró.
Pintado por Picasso em 1937, por encomenda do governo republicano espanhol, o quadro denuncia o bombardeio da cidade basca de Guernica pela aviação nazista de Adolf Hitler, aliado de Franco. "Do ponto de vista especificamente espanhol, é um documento do que aconteceu na Espanha naquela época e sua chegada significou um novo começo de uma nova aventura democrática", lembra Peiró.
Para marcar este aniversário, o Rainha Sofía convidou o historiador de arte britânico Timothy J. Clark, grande especialista da obra de Picasso, para dar duas palestras nos dias 23 e 24 de novembro. Durante os anos da guerra civil espanhola (1936-1939), o "Guernica" viajou incessantemente por Europa e Estados Unidos para recolher fundos com o objetivo de ajudar na luta contra o franquismo, antes de ser confiado ao Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) no fim dos anos 1950.
Três anos antes de sua morte, em 1973, Picasso escreveu ao MoMA pedindo que o Guernica só fosse devolvido quando as liberdades públicas na Espanha voltassem. Pouco depois da morte de Franco, em 1975, os parlamentares espanhóis realizaram os procedimentos para reivindicar sua devolução.
Em 10 de setembro de 1981, protegido por um espesso vidro blindado, o "Guernica" fez sua chegada triunfal a Madri. No entanto, desde então o quadro não deixou de ser objeto de desejo. Ele é protagonista de uma guerra entre o museu de arte contemporânea Rainha Sofía e o prestigiado museu do Prado.