Os curadores Alejandro Diaz e Jimena Perera, bisnetos de Torres García e diretores do museu que leva o seu nome em Montevidéu, irão apresentar um recorte abrangente da produção do artista, de 1913 a 1943, da sua arte mediterrânea à arte construtiva, caminhos percorridos por Torres García na procura de uma autêntica saída para os questionamentos trazidos pela arte moderna. Essa busca é percebida não somente em suas pinturas, mas também em murais, aquarelas, desenhos, manuscritos e nos brinquedos produzidos ao longo de toda a sua trajetória artística.
Em dois pisos da FIC, as suas diferentes linguagens estarão representadas por 44 pinturas, 57 desenhos, 20 aquarelas, três afrescos, seis colagens, três brinquedos de madeira, objetos e uma coleção de livros, manuscritos e fotografia. Na seleção está a polêmica "La Edad de Oro de la Humanidad", um dos quatro murais que Torres García pintou entre 1913 e 1917 no emblemático Palácio da Assembleia de Barcelona. A grande polêmica gerada em torno da obra foi decisiva para que ele trocasse a Espanha por Nova Iorque. Outro trabalho é "New York", pintado em 1920, período em que ele começa a experimentar uma nova estética procurando sintetizar o movimento das ruas, os arranha-céus e cartazes de anúncios.
Torres García propôs retomar os fundamentos da arte ocidental - geometria, criação e proporção - inspirado pelas artes arcaicas da cultura greco-romana, propondo a sua Arte Mediterrânea. Depois de passar pelo início do incêndio da vanguarda, em 1927, começou a dar forma plástica e teórica à sua Arte Construtiva, na qual propôs a tarefa de sintetizar as descobertas dos artistas modernos com o conhecimento de civilizações antigas, e assim reconectar à prática artística com uma existência de raiz humana.
Foi na Europa que o artista desenvolveu parte de sua formação. Em Paris, criou o grupo Cercle et Carré, que reuniu mais de 80 artistas de tendência construtiva. Realizou muitas exposições junto com artistas como Mondrian, Picasso, Van Doesburg, Vantongerloo, Miró, Barradas, Tarsila do Amaral e muitos outros. Em 1934, aos 60 anos de idade e após 40 anos de ausência, ele retornou a Montevidéu com o propósito de fundar um importante movimento de arte construtiva. Deixou como legado uma escola pictórica e americana com identidade própria - La Escuela Del Sur, que permanece como um dos mais consistentes movimentos artísticos do século XX. A visitação poderá ser feita, até dia 20 de novembro, de segundas a domingos, das 12h às 19h, e quintas, das 12h às 21h.