O autor de "Tabacaria", "Autopsicografia", "Hora Absurda" e "Lisbon Revisited" seja como Pessoa ou seus heterônimos mais conhecidos, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, segue a senda de transposição em verbetes por Coronel e equipe, iniciada em 2005, com "Erico Verissimo, o Tempo e o Vento a Passar", seguindo com Mário Quintana, Guimarães Rosa, Machado de Assis, Gabriel Garcia Márquez e William Shakespeare, nos anos subsequentes.
Com projeto gráfico da TAB Marketing Editorial e coordenação de pesquisa de Janaína Baladão, a obra nasceu de um caminhar solitário de Coronel pelas ruas de Lisboa. "Nas caminhadas, comecei a entender melhor a obra de Pessoa que conhecia há 40 anos, fazendo a transição entre o jovem que fui e este senhor de idade provecta", reflete o poeta. Segundo Coronel, o dicionário resulta de pesquisa realizada por 12 doutores, mestres, professores e escritores afeitos a obras dicionarizada, com seleção de mil verbetes, cujo nexo é a maneira com que cada palavra dicionarizada se insere no texto do autor.
"Nestas obras, procuramos como as palavras comparecem na obra do autor", explica. No meio da conversa sobre a obra que será lançada hoje, Coronel cria uma quadra para Pessoa, em redondilha maior (versos de sete sílabas): "Quantas pessoas em Pessoa? / Pergunto ao vento que passa / Mas existe um só Pessoa / Morador de muitas casas". Após a poesia, segue a prosa: "Estes dicionários estão sendo grandes cursos de Literatura para nós e serão para os leitores, pois passamos um ano mergulhados na vida e obra dos autores selecionados", aponta Coronel, lembrando que estão sendo estudados nomes como José Saramago, Jorge Luis Borges, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda ou Manoel de Barros para a próxima edição.