Arte & Agenda

Obras da artista Rivane Neuenschwander serão espalhadas pelas ruas de Belo Horizonte

"Primeiro Amor" é composto por desenhos com feições de pessoas que marcaram afetivamente a vida de alguém

Na versão exibida no projeto "15 Segundos", Rivane Neuenschwander traz a coleção completa de mais de 400 retratos
Na versão exibida no projeto "15 Segundos", Rivane Neuenschwander traz a coleção completa de mais de 400 retratos Foto : Inhotim / Divulgação / CP

A partir de 1 de outubro, as ruas de Belo Horizonte serão tomadas por retratos, desenhos daqueles que ocuparam o posto de primeiro amor na vida de alguém. A cada 15 segundos, um novo rosto e uma nova história. Trata-se de “Primeiro Amor” (2005-2021), trabalho da artista Rivane Neuenschwander que integra o projeto 15 Segundos, iniciativa comissionada pelo Instituto Inhotim que busca  expandir os limites físicos do museu. 

A obra será exibida em mais de 20 painéis de Led da cidade e também no Instagram do museu. O projeto, iniciado em 2020 em meio à pandemia, integra o programa do Território Específico, eixo de pesquisa do biênio 2021 - 2022 do Inhotim, que propõe o debate e a reflexão sobre a função da arte e a botânica nos territórios a níveis local e global.

Em "Primeiro Amor", de 2005, Rivane convida o visitante a adentrar a sala e sentar de frente para um retratista forense, profissional que realiza retratos falados em delegacias, para descrever os traços do rosto de seu primeiro amor. Ao longo da exibição, os retratos vão ocupando as paredes do espaço e, ao final, são enviados ao Inhotim para compor um acervo de desenhos da obra.

Na versão exibida no projeto 15 Segundos, a artista traz a coleção completa de mais de 400 retratos realizados em exibições no New Museum (Nova York), Kadist Art Foundation (Paris), IMMA - Irish Museum of Modern Art (Irlanda), Cheekwood Botanical Garden & Museum of Art (Nashville), Museu de Arte Moderna de São Paulo (São Paulo) e Villa Medicis (Roma). "É um trabalho em que proponho ao público resgatar memórias e que, simultaneamente, contrasta com uma poética de investigação criminal", explica Rivane Neuenschwander. "A obra passou por uma ressignificação, não apenas pelo distanciamento social e a virtualidade que vivemos há mais de um ano, mas também pelos retratos que nos remetem a entes queridos, muitos deles perdidos durante a pandemia", completa a artista.

"Primeiro Amor" é também o título de um conto do escritor irlandês Samuel Beckett, no qual a ideia da experiência amorosa está ligada à morte. Para a artista, que traz em sua obra uma relação constante com a literatura, é o que representa o sentimento do mundo.

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