Arte & Agenda

Ocupação Pandorga promove cerca de 25 atividades gratuitas à comunidade

Grupo está instalado em dois prédios abandonados do bairro Azenha, em Porto Alegre

Ocupação Pandorga promove cerca de 25 atividades gratuitas à comunidade
Ocupação Pandorga promove cerca de 25 atividades gratuitas à comunidade Foto : Mauro Schaefer
Dois prédios públicos e abandonados localizados na rua Professor Freitas e Castro, em Porto Alegre, viraram o ponto de encontro de diversos coletivos culturais da cidade. Há 11 meses, a Ocupação Pandorga está instalada no espaço do bairro Azenha, utilizado desde então para promover cerca de 25 atividades artísticas e educacionais por semana. No local, crianças e adultos, principalmente da Vila Cabo Rocha, participam de oficinas, debates e encontros de teatro, circo, música, capoeira, idiomas e cinema, entre outras áreas contempladas pela iniciativa autônoma.

A programação é realizada com voluntários que doam seus conhecimentos, como explica Filipe Farinha, um dos membros da Pandorga. De forma geral, além dos integrantes sempre ativos, o local pode, por exemplo, ser utilizado para o ensaio de um espetáculo e, como troca, os artistas envolvidos ministram uma oficina. É com essa fórmula que a ocupação recebe cerca de 150 pessoas por semana – número que chega a triplicar quando somadas iniciativas esporádicas de coletivos como o Massa Crítica e o Mobicidade.

Em constante renovação, o movimento tem um comitê gestor, que monta e organiza a Pandorga. Conforme um dos fundadores, Renato Amorim, nada é cobrado, mas contribuições espontâneas são bem-vindas para cuidar do espaço e chegam em forma de quantias em dinheiro, produtos de limpeza, alimentos, material escolar e itens como tintas e pincéis, que estão ajudando a colorir as antigas paredes do pavilhão principal.

Sete moradores ajudam a conservar o local em troca do abrigo, mas o eixo principal da Ocupação não é moradia. O objetivo do grupo, que reúne pessoas de diversos países, é promover cultura, arte e educação, também chamando atenção para a necessidade de mais espaços públicos destinados a esses trabalhos sociais.

Aberta ao público em geral, a Ocupação Pandorga se baseia no diálogo para seguir trilhando seu caminho. “A gente também segue a lógica de que é um espaço coletivo e horizontal. Estamos abertos para quem quiser chegar, conversar, propor, trocar ideias”, explica Amorim. O próximo passo é agregar mais pessoas ao projeto, que vem crescendo – a página no Facebook do grupo já tem quase 5 mil fãs.

“Num segundo momento, queremos ter uma mínima chance de resistência, ter uma chance de concessão do espaço”, revela ele, inspirado em exemplos pelo Brasil onde isso já ocorreu. Se não for possível continuar naquele ponto, o grupo planeja tentar conseguir a destinação de outro local para continuar suas ações.

E o futuro, de fato, é incerto. Ciente da ocupação, a Prefeitura de Porto Alegre realizou na última segunda-feira reunião com diversas secretarias para tratar do caso da Ocupação Pandorga. A questão será avaliada pela Procuradoria-Geral do Município, que atua no cenário jurídico-institucional para a proteção do patrimônio cultural e ambiental dos bens públicos do município. Por ora, os ocupantes da Pandorga garantem que não sofrem pressão para desocupar os prédios.

Enquanto o rumo do local permanece indefinido, a ocupação resiste com sua programação e seu ideal: “Esta comunidade precisa do que estamos oferecendo. E o principal do que estamos fazendo é a vontade de transformar”, diz Filipe. “A gente não vai resolver os problemas do mundo, mas também não vai simplesmente deixar assim.”

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