Oprah subiu ao palco e, no que se tornou um mantra durante um quarto de século, convocou o público a "perseguir seus sonhos". "Cada um de vocês tem sua própria plataforma", disse Winfrey durante o programa, acompanhado em milhões de lares dos Estados Unidos. "A sua está onde quer que você esteja. Isto é a tua plataforma, teu círculo de influências, teu talk-show", acrescentou.
Oprah disse que se tinha algum arrependimento era não ter conseguido chamar mais atenção para o abuso sexual de crianças. "As pessoas me perguntam se tenho arrependimentos", declarou. "Não tenho nenhum sobre o programa, mas sinto que não fui capaz de chamar a atenção, apesar de ter tentado mostrar, em 217 (edições), o abuso sexual e a violação de crianças, que é pior agora com a internet do que quando falei pela primeira vez disso, em novembro de 1986", salientou.
Rompendo muitos tabus, a apresentadora contou abertamente que ela própria havia sido vítima de abusos quando criança, após nascer em um ambiente de pobreza, no Mississippi. No palco havia uma cadeira, mas a veterana da TV diária, ficou de pé, no centro, durante a maior parte do programa, com uma hora de duração.
Mostrando uma colagem de segmentos significativos de programas anteriores, Oprah riu algumas vezes de sua roupa e dos acessórios, fora de moda. Mas a maior parte de seu discurso se concentrou no que ela chamou de sua "viagem". "Escutei e cresci", disse. "Sempre quis ser professora e esta é a maior sala de aula do mundo", emendou.
Uma mulher com excesso de peso, negra e emotiva, ao invés dos habituais apresentadores de TV, homens, brancos e dinâmicos, Oprah parecia uma candidata pouco provável ao estrelato nos Estados Unidos. Mas a incomum mistura de auto-ajuda e confissões de celebridades a tornou muito popular na classe média americana.
Quando o programa chegou ao fim, Oprah se emocionou e deixou escapar algumas lágrimas, enquanto assistia de novo ao que chamou de seu "caminho de vida".