Arte & Agenda

Opressão e racismo são temas de espetáculos on-line

A Última Dança” traz diário de fábrica da escritora francesa e “MamÁfrika”, um drama familiar com questões crônicas ligadas à raça, classe e gênero

"A Última Dança" com Natalia Gonsales
"A Última Dança" com Natalia Gonsales Foto : Flávio Tolezani

Exclusão, racismo e violência e dão o tom dos espetáculos em cartaz neste domingo, no formato virtual. Idealizada pela atriz Natalia Gonsales, a “Trilogia Contra a Violência” aborda aspectos de violência e opressão social contra a mulher em épocas e contextos diferentes entre si. Com sessões gratuitas, às 19h, pelo Youtube da Aliança Francesa, traz “A Última Dança” (neste domingo e também dia 8), “Carmen” (amanhã) e “Fóssil” (dias 9 e 10). 

“A Última Dança” fala do trabalho operário, a partir da adaptação de César Baptista, do diário de fábrica da escritora e filósofa francesa Simone Weil. Nascida em 1909 em Paris, filha de médico judeu, aos 24 anos aluga um quarto perto de uma fábrica, despede-se de seus pais, amigos e do ensino da Filosofia para trabalhar nas linhas de montagem. Visando vivenciar a condição operária e a opressão social, deixa uma espécie de diário relatando o seu dia a dia na fábrica: o calor do forno, as labaredas, o barulho terrível da caldeiraria, os acidentes, as doenças, as ordens, o medo, o ritmo crescente do trabalho, o esgotamento, o envelhecimento, a infelicidade e a fome.

Livremente inspirada em situações reais, narrativas ancestrais, cotidianas e simbólicas do elenco, “MamÁfrika” é um drama familiar no qual as personagens representam arquétipos de pessoas comuns, atravessadas por questões crônicas ligadas à raça, classe e gênero, em um cenário diaspórico e periférico, no Rio de Janeiro. A peça faz um recorte dos impactos de uma geração que migrou da região Nordeste para o Sudeste em busca de melhores condições de vida e de uma outra, descendente da anterior, que teve acesso às políticas públicas voltadas à educação e à cultura, e, de forma frustrada, não consegue se inserir no mercado de trabalho. Gabo Barros assina o texto, sobre  uma mãe e seus dois filhos. Ela tentou ascender socialmente, investindo na educação do caçula, mas viu seu projeto ruir quando ele não consegue um emprego e decide voltar para a casa. Segundo o IBGE, enquanto a taxa de desemprego no Brasil no fim de 2019 era de cerca de 11%, entre a população jovem saltou para 26% e nos jovens negros, subiu para 64%. As apresentações ocorrem de sextas a domingos, sempre às 20h, com ingressos pelo Sympla. 

 

 

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