"Em nossa versão, Adão é um ser andrógino, dividido ao meio e com o mesmo barro é feita sua primeira mulher, Lilith. Depois veio uma inominada, feita na sua frente, o que lhe causa nojo. A partir disso, ele discute com Deus de que parte uma mulher deveria ser elaborada para que lhe obedecesse. De sua costela surgiu a cordata Eva", afirma Vera sobre a narrativa, escrita em 2001. Como inspiração foram usadas passagens bíblicas, a cabala, onde aparece Lilith, e na história em quadrinhos Sandman, em que consta a segunda, que volta para o nada, explica Kike.
Para dar vida à trama, os atores Clarine Nejar, Karina Sieben, Kiko Mello e Marcos de Castilhos executam as músicas ao vivo, tocando sax soprano, lira, tambor e flauta. O cenário de Luiz Marasca promete ser uma atração à parte, começando por uma carroça e transformando-se ao longo do espetáculo em árvore do conhecimento, entre outros. "As pessoas criam as conclusões que quiserem: colocamos Lilith, no final, como uma deusa, em contraponto ao lado masculino", detalha o diretor. A personagem defende que Adão e Eva tenham direito a provar da árvore do conhecimento. Ela é a serpente que volta para testar Eva, dando início ao mundo", conclui.