Arte & Agenda

Orquestra russa realiza concerto na Síria

Apresentação ocorreu em local onde o Estado Islâmico realizava execuções públicas

Cerca de 400 espectadores se reuniram para assistir o espetáculo
Cerca de 400 espectadores se reuniram para assistir o espetáculo Foto : Vasily Maximov / AFP / CP
O conhecido maestro russo Valery Gergiev regeu nesta quinta-feira uma apresentação no anfiteatro da cidade histórica de Palmira, na Síria, onde os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) realizavam execuções públicas quando controlavam a região. O concerto - "Oração para Palmira. A música volta a dar vida aos antigos muros" - foi interpretada pela orquestra sinfônica do teatro Mariinski de São Petersburgo.

Valery Gergiev dirigiu com entusiasmo sua orquestra, que interpretou durante uma hora peças de Bach, Prokofiev e Shchedrin para cerca de 400 espectadores, incluindo militares russos, jornalistas, líderes religiosos e moradores da cidade. O presidente russo, Vladimir Putin, cujas tropas desempenharam um papel crucial na conquista de Palmira por parte do regime sírio, no dia 27 de março, chamou o concerto de "extraordinário ato de humanidade". 

Por videoconferência, Putin disse que a iniciativa - retransmitida ao vivo pela TV russa - "é o reconhecimento a todos os que lutam contra o terrorismo arriscando sua vida, uma homenagem a todas as vítimas do terrorismo (...) e um sinal de esperança, não apenas pelo renascimento de Palmira, mas pela libertação da civilização moderna deste terrível mal, que é o terrorismo internacional".

Nesta sexta-feira está previsto um outro concerto em Palmira, às 17h (horário de Brasília), desta vez organizado pelo regime sírio. A vitória sobre os jihadistas em Palmira permitiu que a Rússia, aliada do regime do presidente Bashar Al Assad, confirmasse seu destacado papel no conflito sírio - no final de abril, o Exército russo anunciou o fim do processo para retirar as minas e explosivos colocados na cidade antiga de Palmira pelo EI. 

Gergiev, um maestro reconhecido em todo o mundo, dirige o teatro Mariinski de São Petersburgo desde 1996. Seus detratores o criticam por suas posições excessivamente ligadas ao Kremlin.

O maestro já organizou concertos em locais devastados pela guerra ou por catástrofes naturais, como em 2008, quando regeu diante das ruínas de prédios estatais em Tskhinvali, capital da república separatista georgiana pró-russa da Ossétia do Sul, logo após o início do conflito entre Geórgia e Rússia para controlar o território. Em 2012, dirigiu um concerto em Tóquio pelas vítimas do acidente nuclear de Fukushima, provocado por um tsunami em 2011.

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