Arte & Agenda

Ortiz vai lutar pela leitura como arma para liberdade

Patrono da 60ª Feira do Livro de Porto Alegre foi escolhido nesta quarta

Para Ortiz, a literatura tem que representar a época em que se vive
Para Ortiz, a literatura tem que representar a época em que se vive Foto : Tarsila Pereira
Por Luiz Gonzaga Lopes

Entre as tantas missões como patrono da 60ª Feira do Livro de Porto Alegre, Airton Ortiz ressalta que a principal será a de conscientizar que "ler é um direito e não um dever". "O livro é a nossa arma na luta pela liberdade. Ler ensina a pensar e quem pensa age com a razão e não com a emoção”, afirmou Ortiz na manhã desta quarta. Ortiz foi um precursor na área editorial, pois criou a Editora Tchê em 1982, que foi uma das primeiras a editar livros de bolso no ano de 1985, com a série Autores Gaúchos, que vendeu de 400 mil exemplares de biografias de 40 personalidades (39 do Rio Grande do Sul e uma de Santa Catarina), como Aparício da Silva Rillo, Barão de Itararé, Elis Regina, Borges de Medeiros e Pedro Raimundo, o catarinense da série.

Na Feira, Ortiz lançará “Paris”, o segundo livro da série Aventuras pelo Mundo, da Benvirá. "O que diferencia os meus livros de viagem ou aventura é a preocupação em trabalhar mais a emoção do que a informação. A informação a gente tem no guia da Lonely Planet, por sinal sempre o melhor. Neste "Paris" trabalho a influência de Paris no romance moderno, pois muitos autores que foram para lá no século XX foram influenciados pelo romance francês e pelo que viveram em Paris e arredores", destaca.

Sobre o ofício do escritor, Airton Ortiz observa que o autor precisa ter convicções, não pode ir mudando conforme as necessidades do mercado. "Os autores precisam desenvolver a sua qualidade, pois a qualidade é fruto de uma convicção estética. Se todas as histórias já foram contadas, o importante é tentar encontrar a linguagem de sua época e não ficar só atrelado aos clássicos. A literatura tem que representar a época em que vivemos.

Jornalista por formação, o patrono ajudará a fomentar as discussões sobre os rumos da comunicação. A feira terá eventos de jornalismo invesgativo e de jornalismo literário, com presenças do brasileiro Klester Cavalcanti e da canadense Isabel Vincent, entre outros. "Os jornais estão perdendo leitores, pois estão tentando competir com a internet. Os jornais precisam de textos mais elaborados. Se eu preciso de uma informação do dia a dia, como trânsito e clima, eu vou para a internet. O caminho é se diferenciar pelo texto", observa.

País homenageado

O Canadá será o país homenageado da Feira. Conforme o diretor comercial do Bureau do Governo do Canadá no Rio Grande do Sul, Paulo Orlandi, serão dez escritores e três editores canadenses presentes durante a Feira. A repórter investigativa canadense Isabel Vincent, que cobre a corrupção política para o The New York Post será uma das grandes presenças do país homenageado, além dos escritores Elizabeth Hay, Pierre Ouellet e Ludmilla Zeman, a tradutora Claire Varin (tradutora de Clarice Lispector no Canadá) e a dramaturga Suzanne Lebleau. Outros autores internacionais que devem marcar presença são o português nascido na Angola Colonial, Gonçalo M. Tavares, e os dinamarqueses Nikolaj Frobenius e Jussi Adler-Olsen. De autores nacionais, estão confirmados Maurício de Souza e Mary Del Priore, entre outros.

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