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“Os Estranhos: Capítulo 2” e “Goat” chegam aos cinemas

Crítico de cinema Marcos Santuario comenta, em poucos minutos, as produções que podem ser conferidas, a partir desta quinta-feira, dia 2 de outubro

Crítico de cinema Marcos Santuário
Crítico de cinema Marcos Santuário Foto : Youtube / Reprodução / CP

Prepare-se para noites insones e reflexões perturbadoras. Nesta quinta-feira chegam aos cinemas dois destaques em lançamentos que não pedem licença para entrar. Os lançamentos de “Os Estranhos: Capítulo 2” e “Goat” não apenas entretêm. Eles surgem para testar os nossos limites. E o fazem com prazer. Eles invadem, marcam, e não vão embora sem antes deixar algumas cicatrizes. O gênero terror em suas mais variadas formas domina a estreia da semana com uma intensidade rara e necessária.

Começamos com sangue. Literalmente. Em “Os Estranhos: Capítulo 2”, o finlandês Renny Harlin (de “Duro de Matar 2”) dirige com a precisão cirúrgica de quem não está interessado em agradar, mas em traumatizar. A nova vítima sobrevive. E para os assassinos mascarados, ícones modernos do horror minimalista, isso é imperdoável.

A partir daí, o filme mergulha em uma caçada que se apresenta inteligentemente de forma silenciosa, bem sufocante e sem espaço para um respiro ou esperança. Claustrofóbico e cruel, o longa-metragem não oferece heróis ou redenções fáceis. Apenas dor, sobrevivência e uma protagonista que renasce na marra, forjada a sangue e grito. Algumas das cenas podem remeter a outras produções do gênero, mas acabam sendo fundamentais no contexto da obra. Um manifesto do terror que recusa a catarse, e justamente por isso, nos obriga a encará-lo.

ÍDOLOS

Mas se “Os Estranhos” lidam com o horror que vem de fora, “Goat”, o outro destaque entre as estreias, nos lembra de que os piores monstros às vezes vestem sorrisos e status de ídolo. Produzido por Jordan Peele, vencedor do Oscar e mestre do horror psicológico (de “Corra” e “Nós”), o filme dirigido por Justin Tipping entra de sola na cultura da excelência, da idolatria e do culto à fama. E não é por acaso que o protagonista é um quarterback promissor, negro, prestes a ser escolhido por uma liga profissional. A pressão é total. O corpo é máquina. A mente é moeda.

Após um ataque brutal, Cameron Cade (Tyriq Withers) vê sua carreira ruir. É então que seu ídolo, Isaiah White (Marlon Wayans, em papel surpreendente), entra em cena. O que parecia um resgate se torna um aprisionamento psicológico. A mentoria vira obsessão. O ícone revela suas fissuras. E o que “Goat”, o “maior de todos os tempos”, realmente significa começa a ganhar contornos sombrios. Peele é claro: “Este filme vai a lugares realmente aterrorizantes.” E vai mesmo. Mas não com sustos fáceis. “Goat” é um thriller que corrói devagar. É sobre masculinidade tóxica, culto à celebridade, racismo estrutural no esporte e a perigosa ilusão de que sucesso justifica tudo. É terror social disfarçado de drama esportivo — e isso o torna ainda mais inquietante.

Duas obras. Dois terrores. Um externo, brutal e direto; outro, interno, psicológico e insinuante. “Os Estranhos: Capítulo 1” e “Goat” representam o melhor (e o pior) dos medos contemporâneos, em tempos de realidades cada vez mais surreais.

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