A turnê histórica de Maria Bethânia e Caetano Veloso marcou o ano de 2024 Foram mais de 500 mil ingressos vendidos ao redor do Brasil, com 15 shows feitos em 9 cidades diferentes. Agora, em 2025, após se apresentarem juntos em Salvador, os dois fizeram show no Rio de Janeiro, no dia 15 março na Farmasi Arena e encerram o projeto em Porto Alegre, neste sábado, dia 22 de março, às 21h, na Arena do Grêmio (Padre Leopoldo Brentano, 110). Os portões abrem às 17h. É a última oportunidade para quem quer ver os dois gigantes da música nacional juntos, na turnê realizada pela Live Nation Brasil e Uns Produções. Os ingressos ainda podem ser adquiridos pela Ticketmaster.
A voz de Bethânia seria um dos motores da entrega de Caetano Veloso à vida de compositor. A história dessa partilha musical se iniciou há 60 anos, no show “Nós, por exemplo”, no Teatro Vila Velha, em Salvador, em 1964. Ainda jovens, numa fase de revelação de caminhos para a música, os dois irmãos, filhos de dona Canô, surgiram como artistas inseparáveis de sua geração, no meio do agito das artes na capital baiana, ao lado de Gal, Gilberto Gil, Tom Zé, Roberto Santana, Alcyvando Luz, Djalma Corrêa, Fernando Lona, Piti e Perna Fróes. Bethânia despontava, porém, como uma cabeça acima de movimentos, determinada a criar um projeto estético fiel às suas paixões musicais profundas. Antes e depois do tropicalismo, Caetano seria um tradutor fraterno dessa poética.
Em seis décadas de carreira, Caetano e Bethânia sustentaram um pacto artístico silencioso, que aflorou no álbum “Drama” (1972), produzido por Caetano, relevante para o aprendizado em estúdio no retorno do exílio; na formação do grupo Doces Bárbaros, em 1976, quando Bethânia aglutinou seus manos baianos; no show que virou disco ao vivo, em 1978; em duos pontuais em suas discografias nas festas familiares no quintal de dona Canô, em Santo Amaro.
O repertório é composto por 32 canções selecionadas de todas as fases da dupla, como Alegria, Alegria”, “Oração ao Tempo”, “A Tua Presença Morena”, “Os Mais Doces Bárbaros”, “Gente”, “Sozinho”, “O Leãozinho”, “Vaca Profana”, “Explode Coração”, “Fé” e “Reconvexo”.
A primeira parte é com os dois cantando juntos, a segunda é com Caetano cantando sozinho e a terceira com Bethânia cantando sem o irmão. A parte final do show tem a dupla novamente junta. A direção geral é de Maria Bethânia e Caetano Veloso, com produção de Ana Basbaum e Paula Lavigne. A direção musical é de Jorge Helder e Lucas Nunes, com participação especial de Pretinho da Serrinha Os músicos são Diogo Gomes (Sopro/Trompete e Flugel); Joana Queiroz (Sopros/Clarinete e Clarone); Jorge Helder (Contrabaixo); Jorge Continentino (Sopros/Sax Barítono, Sax Alto e Clarinete); Kainã do Jeje ( bateria e percussão); Lucas Nunes (Guitarra e violão nylon); Marlon Caldeira (Sopros/Trombone); Paulo Dáfilin (Violão de 12, violão de nylon e violão de aço); Rodrigo Tavares (Teclado); Thiaguinho da Serrinha (Percussão); Jenni Rocha, Fael Magalhães e Janeh Magalhães (vocais).
Para saber um pouco como é a visão do show de dentro do palco, perguntamos ao diretor musical Lucas Nunes, guitarrista e violonista (integrante da banda Bala Desejo) sobre a experiência no palco com os dois gênios da música brasileira. “Realmente, é uma generosidade muito incrível desses dois artistas poderem me chamar e deixar que eu contemple com um pouquinho do que eu sei de música na obra desses dois gigantes; Eu acho que, eu falo isso sempre do Caetano e eu acho que isso contempla a Bethânia também. Por tudo que os dois fazem quando estão juntos, familiarmente também, como eles aprenderam as coisas da vida, da música, posso dizer que eu aprendo muito com o olhar dos dois sobre o mundo”, conta. “Eu sou um músico de 29 anos e fui chamado para dirigir o show, fazer tudo musicalmente nesse show, para ajudá-los, é um aprendizado gigantesco. É bom ver e sentir como eles são detalhistas parte musical, na parte de comunicação com o público, do que eles querem dizer, de como eles tratam a história pessoal e a que eles querem contar. Poder fazer parte disso é, historicamente, para mim, uma fonte de eterno agradecimento”, destaca Lucas, lembrando que Bethânia conversou com ele na primeira reunião e pediu para que ele ajudasse a construir um show épico. E com certeza será!
Confira a entrevista com Lucas Nunes na íntegra no podcast ArteDebater: