Eles entram com Vidal e sua moto, criando o clima já no início do show, de pouco mais de hora e meia no Enjoy Punta del Este, no Uruguay, na noite da útima sexta-feira. Acompanhados de outros três músicos, dois nos sopros e um nos teclados, Herbert Viana, Bi Ribeiro e João Barone, arrancam aplausos e palmas, mas o público não saltita desde o início como em show tradicional de rock’roll. Permanece atento e se deixando tocar aos poucos pelos artistas.
E Os Paralamas desfilam com seus principais clássicos dos 40 anos de estrada. Já estiveram várias vezes em terras latinas. E também no Uruguai. Incluindo o próprio Enjoy Punta del Este, principal hotel e cassino do balneário uruguaio, que celebra 28 anos com uma temporada de eventos neste verão.
Os músicos brasileiros já cruzaram várias fronteiras e seguem agradando os fãs e buscando novos públicos, com sua sonoridade roqueira e por vezes até romântica. Mas no show do Enjoy foram mais roqueiros do que nada. Herbert é quem conduz a noite, agradecendo em poucas palavra, mas aumentando o tom mde interação, até o final do show.
Animaram ainda mais o público com sua “Lanterna dos Afogados”, cantaram a desigualdade que compuseram com o mestre Gilberto Gil; entraram de gaiatos no navio; alagados, levantaram o público de uma vez, evocando a arte de viver da fé; mesclaram muito espanhol e encantaram a audiência; ressuscitaram a sociedade alternativa de Raul Seixas; colocaram em cena uma brasileira, “one more time”, e revelaram quando as meninas do Leblon não olhavam mais pra eles.
Claro que havia muitos brasileiros na plateia, que se apresentaram efusivos quando Barone perguntou pelos compatriotas presentes. Mas o contágio musical envolveu também os “hermanos” de várias procedências, que se uniram para gritar pelo desejado momento do “famoso bis”.
No dia anterior eles estiveram em Montevideo e parecem ter chegado ainda mais aquecidos para o show de Punta del Este.
No bis entraram com a imagem de alguém em “Bora, Bora, agora”; e engataram em inglês introduzindo o “ela disse adeus”; seu “caleidoscópio sem lógica”, e terminaram com clima elevado, aí sim, ao melhor estilo rock’roll com a pedida “Meu Erro”. Toda plateia, em sua maioria “jovens” na faixa dos mais de 40 anos, de pé, trazendo lembranças destas quatro décadas de Paralamas.
Palmas também para as projeções de fundo, dando ainda mais significado e intensidade ao show. Mais um acerto do Enjoy Live, que segue com vários shows na temporada. Destaque pro genial uruguaio Rubén Rada, dia 2 de março, e o brasileiro Armandinho, dia 8.