Na segunda parte da série do CP no Oscar, são analisadas as chances do filme brasileiro “Ainda Estou Aqui” nas categoria de Filme Internacional. A partir de projeções do editor do CS, Luiz Gonzaga Lopes e do crítico Rodrigo de Oliveira, editor-chefe da Almanaque 21, vamos ver quem está mais perto da estatueta. A estreia de Flow nos cinemas brasileiros no dia 20 fez possível com que os espectadores possam assistir aos cinco indicados ao Oscar na categoria em que o nosso “Ainda Estou Aqui” tem as maiores chances de vitória. Assim, ranqueamos as chances dos cinco postulantes à estatueta.
Para o crítico Rodrigo de Oliveira, com “Ainda Estou Aqui”, o Brasil nunca esteve tão muito próximo de receber a estatueta de Filme Internacional. “O fato de ter sido lembrado na categoria principal é vantagem enorme frente aos demais candidatos, até porque propicia com que mais votantes assistam ao longa. A indicação a Fernanda Torres também se soma a essa campanha fabulosa da Sony Classics, que programou o filme de Walter Salles para estrear nos EUA quando os votos começavam a ser computados. O filme segue em cartaz nos cinemas no Brasil, via Sony Pictures, e ultrapassa os 5 milhões de espectadores”. Luiz Gonzaga destaca o desempenho de Fernanda Torres e de Salles nos festivais e entrevistas nos Estados Unidos como um componente a mais para o sucesso da produção nesta categoria.
Sobre “Emilia Pérez”, o crítico destaca que era favorito na categoria, até os tuítes de Karla Sofia Gascón cheios de mensagens preconceituosas serem descobertos. “Com 13 indicações ao todo, incluindo as mesmas que Ainda Estou Aqui conseguiu – Filme e Atriz – a briga estava aberta entre as duas produções. Mas as polêmicas em cima do filme do francês Jacques Audiard, que confessou não ter feito pesquisa sobre a cultura latina para produzir um longa falado em espanhol, pesaram sobre suas chances de vitória. Distribuído pela Paris Filmes, segue em cartaz nos cinemas.” O editor do CS destaca que o filme tem a sua força no desenvolvimento da trama, mas que não funciona como musical, tendo muitos altos e baixos.
A produção “A Semente do Fruto Sagrado” que representa a Alemanha, tem para Rodrigo de Oliveira uma força, pois o diretor Mohammad Rasoulof quase foi para a cadeia depois de ter lançado o filme em Cannes. “O governo do Irã decretou sentença de prisão para o cineasta por criticar o regime. Com isso, o longa representa a Alemanha no Oscar e mostra de maneira muito humana a deterioração de uma família a partir de uma realidade opressora, de um Estado totalitário que enxerga em qualquer pessoa um inimigo em potencial. Faz belo programa duplo com ‘Ainda Estou Aqui’, dada a temática crítica ao autoritarismo. Distribuído pela Mares Filmes, segue em cartaz nos cinemas e entrou no catálogo do Telecine.” Gonzaga destaca que a força desta produção está nos riscos para que fosse filmada, entremeada com imagens de protestos e mortes verdadeiras em Teerã, após a morte em 2022, de Jina Mahsa Amini, de 22 anos, por uso inadequado do hijab (véu).
A produção dinamarquesa “A Garota da Agulha”, de Magnus Von Horn, é caracterizada como um conto de fadas sombrio; “O longa é um dos mais pesados da temporada. Embora seja baseado em fatos, vamos deixar no ar o que acontece, para não estragar a surpresa. Mas saiba que é um filme que requer estômago, por conta das atrocidades cometidas. Von Horn parece emular o mesmo ambiente desconcertante que Michael Haneke utilizou em ‘A Fita Branca” (2009), deixando claro que há algo de errado naquele ambiente do pós-guerra em Copenhague. Lançado no Brasil direto no streaming, via Mubi”, destaca Oliveira. Gonzaga destaca que o filme não tem chances de vitória, apesar de ser baseado em uma história real do final dos anos 10 e início dos anos 20 em Copenhague e elogia a fotografia expressionista da produção.
Sobre a animação “Flow”, da Letônia, o crítico lembra que assim como no Brasil o clima pró-animação é de Copa do Mundo naquele país. “Flow fez com que a Letônia ficasse em clima de Copa do Mundo por conta do sucesso da animação do gatinho preto, dirigida por Gints Zilbalodis. Foram duas indicações: Filme Internacional e Animação, com o filme tendo mais chances de vencer nesta última, repetindo o louro do Globo de Ouro. Produzido em plataforma gratuita e com equipe diminuta, o filme letão prova que uma boa ideia, bem executada, pode fazer frente a grandes produções. Foi lançado quinta pela Mares Filmes.” O editor do CS frisa que o filme pode ganhar Melhor Animação, apesar de ‘Robô Selvagem” e “Divertida-Mente 2”serem melhores, mas que não tem chance nesta categoria, apesar de ser um belo filme apocalíptico, com reflexões sobre a natureza revidando as agressões que sofre da humanidade.
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