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Oscar 2025: Walter Salles homenageia Eunice Paiva, Fernandas e exalta público: “Virou coautor”

Cineasta destacou alerta sobre a democracia e sobre a importância da resistência em “Ainda Estou Aqui”

Diretor projetou mais espaço para cinema e literatura brasileiros
Diretor projetou mais espaço para cinema e literatura brasileiros Foto : Academy / AFP / CP

O diretor Walter Salles destacou o papel do público na conquista de “Ainda Estou Aqui”. A produção brasileira conquistou um histórico primeiro Oscar para o país, neste domingo, na categoria Melhor Filme Internacional. O cineasta creditou parte do sucesso do longa ao público brasileiro, dando destaque aos mais de 5 milhões que foram assistir à produção nos cinemas.

“O público brasileiro virou coautor no filme”, disse, citando como a repercussão da obra foi notada na mídia. “O que aconteceu no Brasil foi retratado por jornais, e perceberam que havia um filme quebrando as barreiras da polarização política no Brasil e oferecendo uma reflexão”, completou.

Walter Salles ressaltou que o prêmio da Academia não é um reconhecimento apenas a “Ainda Estou Aqui”. “Acho que é uma cultura reconhecida, não só o filme. É a forma como fazemos cinema no Brasil sendo reconhecida; é a literatura brasileira reconhecida, por meio do livro que o Marcelo Rubens Paiva escreveu; é a música brasileira reconhecida, já que o filme é levado por Caetano Veloso, Gal Costa, Erasmo Carlos, todos esses cantores extraordinários”.

“Isso ajuda muito o cinema independente, também, porque essa notícia vai se espalhar e pode abrir mais oportunidades para esses filmes”, continuou.

Questionado por uma jornalista portuguesa sobre o que fez o filme ressoar em outros países, Salles citou dois motivos. O primeiro é o tema do luto: “Esse filme é sobre perda, como você lida com a perda, e também sobre como você luta contra a injustiça. Essa mulher, Eunice Paiva, tinha a possibilidade se se dobrar, mas abraçou a vida. No fim das contas, é um filme sobre isso”

Walter citou ainda as circunstâncias políticas presentes. “A democracia está ficando muito frágil no mundo todo. Nunca pensei que ela poderia estar tão frágil, mesmo neste país. O que aconteceu no passado no Brasil parece estar muito próximo no presente”, disse, lembrando que Eunice Paiva articulou “uma resistência baseada no afeto, na ideia de sorrir”.

O diretor, inclusive, fez uma bela homenagem a Eunice. “Uma mulher excepcional é a protagonista dessa história, e acredito que ela ainda está nos guiando. Não é só o filme, é Eunice nos protegendo.” Ele dedicou a vitória a ela e também às atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, que a interpretam em Ainda Estou Aqui. “São duas atrizes extraordinárias nos mostrando, através da arte, que resistir é importante. E elas fizeram isso.”

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