Arte & Agenda

Oscar chega a 89ª edição com recorde de indicações de artistas negros

Presença de profissionais afrodescendentes aumentou nas categorias da premiação

Denzel Washington e Viola Davis protagonizam "Um Limite entre Nós"
Denzel Washington e Viola Davis protagonizam "Um Limite entre Nós" Foto : David Lee / Paramount / Divulgação / CP
No ano passado, a ausência de indicações de artistas negros às categorias do Oscar gerou protestos da classe artística nos Estados Unidos. Spike Lee boicotou a cerimônia e vários denunciaram o #OscarSoWhite (#OscarMuitoBranco). Depois de dois anos sem negros nas principais categorias, a edição 2017, que ocorre neste domingo com transmissão ao vivo do site do Correio do Povo, chegou com uma situação oposta: bateu o recorde de indicações de afrodescendentes. São 20 profissionais com alguma nomeação, superando os dez de 1985, ano de “A Cor Púrpura”. A safra de filmes ajudou: há várias produções de alta qualidade que trazem a questão racial como tema. É também o primeiro ano em que há atores negros concorrendo em todas as categorias de atuação.

Entre eles, podemos citar Denzel Washington, que concorre a Melhor Ator por “Um Limite Entre Nós” (“Fences”) e Viola Davis, indicada para Atriz Coadjuvante pelo mesmo filme. Neste drama, que está em pré-estreia nos cinemas, Washington interpreta um homem que queria ter sido jogador de beisebol, mas terminou como catador de lixo. Não será surpresa se ambos os indicados deste filme arrebatarem os troféus de suas categorias. “Um Limite Entre Nós” está indicado ainda a Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado.

Quando começaram as premiações da temporada, como o Globo de Ouro, Casey Affleck despontava como favorito pelo dramático “Manchester à Beira-Mar”, assim como Ryan Gosling pelo musical “La La Land”. Mas, à medida que as premiações foram se alternando, Denzel Washington parece ter ganhado força: ele ganhou o troféu de Melhor Ator dado justamente pelo Sindicato dos Atores dos EUA, o SAG, cujos membros também fazem parte da Academia. Além disso, Affleck ganhou os tabloides de fofocas: ele foi acusado de assédio a mulheres integrantes de sua equipe na rodagem de um documentário. Sua postura na vida real pode, portanto, “queimar o seu filme” junto a membros da Academia.

Outro destaque é “Moonlight: Sob a Luz do Luar”, que concorre a oito estatuetas, mesmo número de “A Chegada”. Em número de indicações, estes dois perdem apenas para o favorito “La La Land”. Por “Moonlight”, o cineasta Barry Jenkins se tornou o quarto cineasta negro nomeado à categoria de Melhor Diretor. Nos 89 anos de existência do prêmio, foi precedido por John Singleton (“Os Donos da Rua”, 1991), Lee Daniels (“Preciosa”, 2009) e Steve McQueen (“12 Anos de Escravidão”, 2013). Nenhum deles saiu vencedor na disputa, mas o trabalho de McQueen foi eleito o melhor filme do ano e rendeu também a estatueta de atriz coadjuvante a Lupita Nyong’o. O filme também teve a primeira indicação de uma mulher negra na categoria de Melhor Edição: Joi McMillon.

A narrativa de “Moonlight”, com elenco majoritariamente negro, acompanha o protagonista afrodescendente em três fases da vida. Da infância sofrendo bullying à tentação de entrar na criminalidade quando jovem, “Black” é um negro que tenta sobreviver na periferia de Miami. “Moonlight” foi eleito Melhor Drama no Globo de Ouro 2017 e pode surpreender no domingo. Naomie Harris, que interpreta a mãe Paula, está indicada a atriz coadjuvante. O mais provável integrante da equipe a vencer é Mahershala Ali como Ator Coadjuvante.

“Estrelas Além do Tempo”, de Theodore Melfi, tem três indicações ao Oscar. Baseado em fatos reais, acompanha as três primeiras cientistas negras a trabalharem na Nasa. No SAG, o filme ganhou o troféu de “Melhor Elenco”. No Oscar, o filme concorre a Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer (já oscarizada com o mesmo troféu por “Vidas Cruzadas”).

Na categoria de documentário, “Eu Não sou Seu Negro” faz um resgate sobre a luta pela igualdade racial e de direitos civis, enfocando líderes como Martin Luther King, Medgar Evers, Malcolm X. Com direção de Raoul Peck, tem a narração de Samuel L. Jackson. Ruth Negga, a protagonista de “Loving”, compete numa das categorias mais concorridas deste ano, a de melhor atriz principal. Ele é a estrela do título, o qual acompanha Mildred, uma mulher negra que se envolve com um homem branco no Sul dos EUA nos anos 1960, quando relacionamentos interraciais eram considerados crime. Infelizmente, este longa-metragem ainda está inédito nos cinemas daqui.

A presença negra também está atrás das câmeras. Kimberly Steward se tornou a segunda mulher negra da história indicada pela produção de uma obra, com “Manchester à Beira-mar”, concorrente a Melhor Filme. A primeira foi Oprah Winfrey, pelo drama histórico “Selma”. Os resultados foram celebrados pela Associação Afro-Americana de Críticos de Cinema, que afirmou estar “entusiasmada com os recordes superados com as indicações neste ano”. “Esperamos que o progresso da Academia continue para refletir a rica diversidade da América”, afirmou a instituição, em um comunidade divulgado em agências de notícias. Apesar do simbolismo e importância desses números, vale ressaltar que negros, que representam 12.6% da população dos Estados Unidos, ainda têm baixos padrões de representatividade em Hollywood.

Mas esforços têm sido feitos para modificar esta situação. A presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Cheryl Boone Isaacs, vem trabalhando para renovar o corpo de votantes, que são em sua maioria homens e brancos. Ao longo do ano, foram incluídos membros de diferentes gerações e etnias, procurando dar mais diversidade aos integrantes. A mudança é lenta, mas visível.

Assista ao vídeo com projeções de críticos de cinema sobre o Oscar 2017:




Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta terça-feira, dia 20 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio