A série de escândalos de assédio e abuso sexual desvelada no final do ano passado pautou os eventos cinematográficos em 2018. No Globo de Ouro e no BAFTA, a classe artística fez um pacto para usarem roupas como forma de demonstração de solidariedade às vítimas, enquanto o César teve protesto com fitas brancas em repúdio à violência contra as mulheres. Neste domingo, o Oscar, a mais importante das distinções do ramo, não fugirá da regra, mas vai focar nos filmes nomeados. A cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas vai encerrar a temporada de premiações sem uma combinação formal de vestimenta, mas vai dedicar um espaço à iniciativa Time's Up, criada em Hollywood para defender sobreviventes de assédio e chamar atenção para as causas feministas.
Duas pessoas envolvidas na produção do prêmio, falando na condição de anonimato ao jornal The New York Times, disseram que a organização não pediu às estrelas que usassem preto - embora um bóton do Time's Up fosse apreciado - e que não havia esforços coordenados para que os artistas levassem ativistas como convidados, como houve no Globo de Ouro. Conforme a dupla, a decisão de uma tentativa de manter uma postura mais neutra reflete a preocupação da Academia e da ABC, emissora responsável pelo transmissão do prêmio nos Estados Unidos. “A maioria das pessoas assiste a shows de prêmios para o glamour. Sempre que as celebridades usam a plataforma para suportar causas progressistas e fazer declarações políticas, um grande número de telespectadores mudam de canal”, de acordo com os organizadores.
Apesar disso, garantiram que haverá um momento para o movimento “Time’s Up”, sem detalhar como isso será feito, pois é impossível ignorar o que aconteceu. Representantes desta organização, como a cineasta Ava DuVernay e produtora Shonda Rhimes falaram à imprensa norte-americana durante a semana, mas também não deram muitos informações. "É importante que vocês saibam que o Time's Up não existe apenas no tapete vermelho. Aquelas mulheres que vocês viram nos representando agora estão trabalhando fora dos holofotes, sendo ativistas", disse Shonda, a mente criativa por trás de "Grey's Anatomy", "Scandal" e "How To Get Away with Murder", em entrevista ao USA TODAY. "Nós não somos um grupo de protesto de premiações", completou Ava.
"Queremos que seja a mais divertida o possível - reverencial e respeitosa, mas também emocionante. A cerimônia deve ser um espetáculo. Divertida, engraçada e com grandes performances. Também deve ser um comercial gigante para a indústria, que todos nós precisamos que continue existindo", comentou Jennifer Todd, uma das produtoras da premiação ao site. “Certamente queremos honrar e respeitar o movimento Time's Up e permitir que a mensagem seja ouvida, mas estamos tentando fazer algo mais planejado em vez de uma manifestação espontânea. Ele terá seu momento, mas não parecerá que ele se sobressai mais do que os artistas e filmes que serão honrados", afirmou Channing Dungey, presidente de Entretenimento da ABC.
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