Arte & Agenda

OSPA abre a Série Quinta Clássica com obras-primas do século XIX

Nesta quinta-feira, dia 20, acontece a primeira série de quatro concertos, que serão realizados todas as quintas-feiras à noite

Mateus Araujo, que já regeu importantes orquestras brasileiras, comanda a OSPA pela primeira vez
Mateus Araujo, que já regeu importantes orquestras brasileiras, comanda a OSPA pela primeira vez Foto : OSPA / Divulgação

A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) oferece uma nova oportunidade de apreciar a música durante a semana: a Quinta Clássica, série de quatro concertos que serão realizados todas as quintas-feiras à noite. A primeira apresentação acontece nesta quinta-feira, dia 20, às 20h, na Casa da OSPA. Os ingressos podem ser adquiridos via Sympla. O maestro Mateus Araujo e o trompetista Diogo Gomes são os convidados da orquestra.

O repertório da nova série é dedicado, sobretudo, aos compositores do período Clássico ou Classicismo, um estilo marcado pela elegância que despontou entre 1730 e 1820, por meio de nomes como Mozart, Haydn e Beethoven. Nesta primeira Quinta Clássica, a OSPA executa obras de Johann N. Hummel, uma das principais personalidades do período, e Franz Berwald, um romântico muito influenciado por esse estilo. 

Mateus Araujo, que já regeu importantes orquestras brasileiras, como a Filarmônica de Minas Gerais e as sinfônicas do Theatro Municipal de São Paulo e do Rio de Janeiro, comanda a OSPA pela primeira vez. “A OSPA foi dirigida pelos meus primeiros professores, Eleazar de Carvalho e David Machado, sempre acompanhei a orquestra com muita torcida e orgulho”, comenta o regente, que também celebra o reencontro com o trompetista Diogo Gomes. “É meu colega de mestrado na UFRJ, e também estivemos juntos quando regi a OSB Jovem, há 11 anos, quando ele já era um músico excepcional”, conclui.

A apresentação inicia com “Concerto para Trompete em Mi Bemol Maior”, do austríaco Johann Nepomuk Hummel (1778-1837). Escrita em 1804, a obra homenageia mestres do Classicismo, citando Mozart e Cherubini, e foi dedicada ao mais celebrado trompetista da época, Anton Weidinger. “Dentro dos concertos do período clássico para o trompete, é o mais grandioso, tanto de beleza quanto do aspecto técnico de virtuosidade”, explica Diogo Gomes, que fará os solos da obra. O músico de 31 anos equilibra a trajetória na música de concerto com o trabalho de trompetista e arranjador de Gilberto Gil, além do mestrado na UFRJ. 

Após o intervalo, a OSPA executa “Sinfonia n° 3 em Dó Maior”, de Franz Berwald (1796-1868), considerado o principal compositor da música escandinava no início do período romântico. Sua terceira sinfonia, chamada de “Singular”, foi escrita em 1845 e estreada somente em 1904, décadas após a morte do compositor, mas em tempo de influenciar outros grandes escandinavos, como Jean Sibelius e Carl Nielsen. Mateus Araujo afirma que ela proporciona uma experiência clássica, romântica e moderna ao mesmo tempo. “Eu pude reger esta sinfonia em 2000 no Festival de Aspen e fico feliz que nestas duas últimas décadas, ela continua sendo gravada e apresentada pelas maiores orquestras. Esta sinfonia é extremamente exigente para a orquestra e está sendo apresentada pela primeira vez no estado, o que representa a persistência da grande arte.”

Mateus Araujo ingressou aos 19 anos como violinista na Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal de São Paulo e na Orquestra Jazz Sinfônica, onde também iniciou sua carreira como regente e compositor.  Atuou como regente titular das orquestras Jazz Sinfônica de São Paulo, Sinfônica de Ribeirão Preto, Sinfônica do Theatro da Paz (Belém), OSB Jovem e Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro. Graduado pelo Conservatório Brasileiro de Música (RJ), atualmente conclui seu mestrado na UFRJ.

Diogo Gomes iniciou seus estudos musicais aos 10 anos com seu pai, o trombonista Cesario Constancio Gomes. Sua formação musical inclui o Conservatório Brasileiro de Música e o curso de Bacharelado em Trompete da UFRJ. Foi 1° trompete da Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem. Foi contratado na Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e atuou como convidado na Orquestra Petrobras Sinfônica. Em 2021, foi aprovado no concurso de professor substituto de trompete da Universidade de Brasília (UnB), onde lecionou até 2022, mesmo ano em que ganhou o concurso de jovens talentos do jazz, no Savassi Festival. Atualmente, cursa mestrado na UFRJ e trabalha como trompetista e arranjador de Gilberto GiL.Em 2022, lançou seu primeiro álbum solo, intitulado “Transcendental”.

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