A obra de Schoenberg foi escrita em 1899, ainda em um período tardo-romântico da produção do compositor que se tornaria o líder da chamada Segunda Escola de Viena, inventor de uma concepção musical vanguardista que ficou conhecida como dodecafonismo. Nela, ele procura representar as ideias, ações e os sentimentos dos personagens do poema homônimo, de Richard Dehmel, que narra uma história de adultério e perdão.
Ocupando os cargos de maestro titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, que no ano passado realizou sua primeira turnê internacional, Cruz diz que já tocou “Noite Transfigurada” muitas vezes em sua versão original, para sexteto de cordas. “Ela define de maneira genial as possibilidades da estética romântica. Nela Schoenberg se inspirou em tudo o que vinha sendo escrito e gestou uma obra que considero ser o ápice do romantismo.”
Contrastando com a dramaticidade da obra de Schoenberg, que virá na segunda parte do programa, o concerto começa alegre, com a “Sinfonia Simples”, Op. 4, do inglês Benjamin Britten (1913-1976), cujo centenário é comemorado este ano. Trata-se de uma obra melodiosa, que data da juventude do compositor. Foi escrita com base em materiais que ele compusera entre os 9 e os 13 anos de idade e que fora dedicada à sua professora de viola na infância.
Ainda antes do intervalo, o maestro Cláudio Cruz acumulará a função de solista para interpretar o também melodioso “Concerto para Violino e Orquestra de Cordas em Ré Menor”, de Félix Mendelssonhn (1809-1847)
Cruz, maestro e violinista, foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), Prêmio Carlos Gomes, Prêmio Bravo e Grammy Awards, entre outros. Tem atuado como regente convidado em diversas orquestras, entre elas, a Orquestra Sinfônica Brasileira, Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo, Ospa, Sinfônica de Brasília, Osesp, Orquestra de Câmara de Osaka, Orquestra de Câmara de Toulouse e Orquestra Sinfônica de Avignon. Participou de diversos Festivais de Música. No Brasil, destaca-se sua participação como regente da Orquestra Acadêmica do Festival Internacional de Campos de Jordão em 2010 e 2011. Foi diretor musical da Orquestra de Câmara Villa-Lobos e regente titular das sinfônicas de Ribeirão Preto e Campinas.