A relação de Larsen com a Ospa é antiga. Iniciou com seus pais, uma brasileira e um dinamarquês que se conheceram na orquestra, trabalhando como violinistas; passou por sua atuação como solista, aos 9 anos de idade, e seguiu com as diversas ocasiões em que ocupou o pódio à frente da orquestra. O programa escolhido para esta visita à sua cidade natal inclui obras de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e Richard Strauss (1864-1949) — expoente do pós-romantismo alemão cujo sesquicentenário é lembrado em 2014.
Na primeira parte do concerto, a Ospa interpreta duas obras de Mozart compostas em Viena, em 1786, pouco depois de ele romper seu vínculo com a corte, inaugurando novo momento na história da música e abrindo espaço para as liberdades que os compositores vieram a conquistar no século XIX. A abertura da ópera cômica “O Empresário” inicia a noite, seguida pela “Sinfonia nº 38”, também chamada “Praga”, em homenagem à cidade que acolheu Mozart quando os vienenses perderam interesse por sua música em função das inovações que trazia. “Metamorphosen”, de R. Strauss, encerra o concerto, instaurando uma atmosfera bastante contrastante com a inicial. Composta em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, a obra consiste em um profundo testemunho da resignação do compositor frente à devastação que o cercava.