A noite começa com a “Sinfonia em Dó Maior”, de Bizet, grande nome da música lírica francesa da segunda metade do século XIX. Sua obra é herdeira do tradicional modelo vienense, exibindo o domínio técnico, frescor e a espontaneidade do autor. Na sequência, a Ospa realiza a estreia mundial do “Concerto Latino-Americano”, de Arthur Barbosa. A composição expressa a busca do compositor cearense por uma sonoridade característica da diversidade cultural da América Latina, valendo-se do malambo, da milonga e do jequibau, sem deixar de lado sua formação na escrita sinfônica europeia. Na primeira execução deste concerto para trompete e orquestra, o convidado é o paulista Flávio Gabriel, membro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).
A noite se encerra com a música de Piazzolla, que revolucionou o tango incorporando elementos do jazz e da música de concerto. A orquestra interpreta arranjos de três obras escritas na década de 1960: “Decarisimo”, composta para o Quinteto Nuevo Tango; “Fuga y Misterio” (parte da ópera-tango “Maria de Buenos Aires”) e “Chiquilin de Bachin”, ambas fruto da parceria firmada entre Piazzolla e o poeta Horacio Ferrer.
Flávio Gabriel foi o principal trompetista da Ospa entre 2004 e 2009, atualmente integra o naipe de trompetes da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Em 2010, protagonizou um feito inédito na história do trompete no Brasil, sendo premiado no Concurso Internacional de Música Primavera de Praga, uma das competições mais acirradas do mundo. Já Enrique Ricci é professor no Musikene (Centro Superior de Música do País Basco) de San Sebastián, e na Escola Superior de Música da Catalunha (Esmuc) de Barcelona. Durante muitos anos, dedicou especial atenção à sua colaboração com o tenor José Carreras, em concertos operísticos, megaconcertos e recitais, para grandes plateias.