Uma das grandes obras latinoamericanas feitas para o cinema ganha a sonoridade da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa). ‘‘A Noite dos Maias’’, de Silvestre Revueltas, dá nome ao concerto deste sábado, 17 de setembro, às 17h, na Casa da Ospa (Centro Administrativo do Estado – Borges de Medeiros, 1501). A Casa da OSPA recebe o programa e conta com a presença de dois convidados de renome internacional. O maestro venezuelano Rodolfo Saglimbeni divide o palco com o violinista italiano Davide Alogna, que interpreta, como solista, duas obras de Wolfgang Amadeus Mozart. O espetáculo tem transmissão ao vivo pelo YouTube. Os ingressos estão à venda pela plataforma sympla.com.br e também garantem acesso à palestra “Notas de Concerto”, às 16h, com o professor e ativista cultural Francisco Marshall.
Wolfgang Amadeus Mozart, expoente musical do período clássico, ganha metade do espetáculo da Ospa na tarde de sábado. Quem interpreta suas obras é o violinista italiano Davide Alogna, que nutre profunda admiração por seu legado: ‘‘Meu compositor favorito é Mozart, então esse será um encontro muito feliz. O ‘Adagio em Mi Maior, K. 261’ é a forma perfeita de iniciar um concerto. É uma partitura inacreditável, repleta de beleza, que ele havia pensado para voz. Você pode cantar toda essa peça e é equivalente à instrumentação. É realmente muito lírico e romântico.’’
Apesar da nacionalidade austríaca, Mozart buscou inspiração na música italiana para compor boa parte de suas obras. Essas características aproximaram ainda mais o violinista do seu compositor predileto. ‘‘O ‘Concerto para violino nº 4 em Ré maior, K. 218’ é um dos mais italianos, pois foi influenciado por Luigi Boccherini. Todos os concertos dele, na verdade, carregam um traço da ópera italiana e seu lirismo. No segundo movimento, você percebe perfeitamente a vida de Mozart, as diferenças de humor, a variação das suas características. Por isso, estou muito feliz em ir à Casa da Ospa. O público brasileiro é muito acolhedor, algo semelhante ao que vejo em meu país.’’
O programa volta-se à América Latina na segunda parte do espetáculo, resgatando a música elaborada especialmente para o filme mexicano de 1939, ‘‘La Noche de Los Mayas’’, dirigido por Chano Urueta, que narra os conflitos e os desencontros amorosos entre os indígenas e o homem branco. A fama, entretanto, ficou por conta da sua trilha sonora, que foi premiada e, posteriormente, adaptada como uma sinfonia pelo maestro José Ives Limantour. A regência da obra fica a cargo de outro latino: o maestro venezuelano Rodolfo Saglimbeni. ‘‘É uma peça de grande variedade e colorido orquestral, com uma estupenda seção de instrumentos de percussão, muitos deles de origem indígena’’, afirma o regente, que reforça a importância do compositor. ‘‘Essa é uma das obras mais importantes de Silvestre Revueltas, que, sem dúvida, junto com Villa-Lobos, no Brasil, Ginastera, na Argentina, e Antonio Estévez, na Venezuela, constituem um quarteto importantíssimo de compositores latinoamericanos de projeção mundial.’’
Sobre o maestro
De prestígio internacional, o venezuelano Rodolfo Saglimbeni estudou na Royal Academy of Music, na Inglaterra, e na Accademia Nazionale di Santa Cecilia, na Itália. Já atuou como diretor associado da Sinfonietta Caracas e da Sinfônica da Venezuela, diretor musical do Teatro Teresa Carreño, assim como diretor artístico da Sinfônica Municipal de Caracas e diretor titular da Orquestra Sinfônica Nacional do Chile. É convidado frequente para reger orquestras na América e na Europa. Em 1999, foi vencedor do Prêmio Diretor das Américas, no Chile, e sua excelência o levou à final do Concurso Internacional de Directores de Orquesta de Besançon, na França. Em 2014, foi nomeado pelo governo italiano como ‘‘Cavalheiro da Ordem da Estrela da Itália’’, reconhecimento pelas conquistas no campo da ciências, das letras e das artes.
Sobre o solista
Davide Alogna graduou-se em violino e piano no Conservatório de Música Giuseppe Verdi, em Milão, e é formado tanto como solista quanto em música de câmara no Conservatório de Paris, que lhe garantiu o “Premier Prix à l'Unanimité". Em 2017 debutou no Teatro Alla Scala de Milão e já tocou em alguns dos principais palcos da música de concerto do mundo, como Carnegie Hall, Teatro alla Scala, Berliner Philharmonie, Suntory Hall of Tokyo, Smetana Hall of Prague, Grand Theatre of Shanghai e Salle Cortot of Paris. Já gravou discos para selos como Warner Classics, Naxos, Amadeus e Phoenix Classics. Atua também como professor titular de violino no Conservatorio Luca Marenzio, na Itália. Toca com um violino Giovanni Battista Guadagnini (Piacenza, 1744) e com um Anselmo Gotti (Ferrara, 1930).