A abertura ficou por conta da One of Them, antiga Taliban. Os rapazes porto-alegrenses não decepcionaram em seus 45 minutos no palco. Apresentaram oito petardos incríveis, como “Sadistic Blinder”, “Inferno”, “Voices in My Head” e “Leth Them Burn”. A destacar a ótima qualidade de som, o que é raro em caso de shows de bandas locais, e a coesão entre seus integrantes. O vocalista Glauber Mussi, nas horas vagas advogado, tem um vozeirão gutural impressionante. O novo guitarrista Leo Jamess entendeu-se bem com o parceiro de seis cordas Jeff Witt, enquanto que a cozinha formada pelo batera Z Ace e o baixista Alex Guterres é competente lá atrás.
Na sequência, o Overkill fez um show de pouco mais de uma hora, melhor do que o apresentado no mesmo Opinião em 2001. Incrível terem se passado 11 anos. Talvez porque àquela época a galera não estivesse frequentando muito os shows de metal. E isso pode ter refletido no desempenho da banda naquela noite. Para exemplificar, no mesmo período bandas seminais também tocaram no Opinião - Dio, Motörhead e Judas Priest - para um público reduzido. Quem recorda que eles estiveram pela cidade?
Na quarta-feira, com o bar lotado, o clima foi diferente. O Overkill despejou seu repertório de músicas rápidas, muitas ao vivo beirando o punk. Num show correto, sem espaço para virtuosismos, os 32 anos da banda foram contemplado, principalmente o clássico de 1989 “The Years of Decay”, com “Elimination”, “Nothing to Die For” e “E.vil N.ever D.ies”.
O vocalista Bobby Blitz Ellworth, a cara de Tommy Lee Jones, não escondeu sua satisfação em tocar na cidade, e a cada canção, fazia questão de bater um papo com a galera, sem apelar para o português tacanho que outros músicos estrangeiros aplicam por aqui. Foi de inglês mesmo, e foi bem entendido. Ao seu lado, no baixo e backing vocals, o seu colega de início de banda Carlos Verni metia o braço em seu instrumento, em forma de aranha. Os guitarristas Dave Linsk e Derek Tailen não brincam em serviço, e sem perder tempo com firulas, assim como o batera Ron Lipnicki. A banda é simples, o que significa não ser um show inesquecível. Agradável. Ponto.