Arte & Agenda

Overkill lota show e empolga fãs em Porto Alegre

Banda americana revisitou 30 anos de carreira no palco do bar Opinião

Banda Overkill fez show no bar Opinião, em Porto Alegre
Banda Overkill fez show no bar Opinião, em Porto Alegre Foto : Chico Izidro / Especial CP
O Bar Opinião foi palco na quarta-feira de mais uma daquelas noites em que a tribo de headbangers (sim, senhores e senhoras, me nego a utilizar o termo pejorativo metaleiros) entrou em comunhão. O bar estava lotado para a apresentação da banda americana de New Jersey Overkill, uma das expoentes do thrash metal oitentista.

A abertura ficou por conta da One of Them, antiga Taliban. Os rapazes porto-alegrenses não decepcionaram em seus 45 minutos no palco. Apresentaram oito petardos incríveis, como “Sadistic Blinder”, “Inferno”, “Voices in My Head” e “Leth Them Burn”. A destacar a ótima qualidade de som, o que é raro em caso de shows de bandas locais, e a coesão entre seus integrantes. O vocalista Glauber Mussi, nas horas vagas advogado, tem um vozeirão gutural impressionante. O novo guitarrista Leo Jamess entendeu-se bem com o parceiro de seis cordas Jeff Witt, enquanto que a cozinha formada pelo batera Z Ace e o baixista Alex Guterres é competente lá atrás.

Na sequência, o Overkill fez um show de pouco mais de uma hora, melhor do que o apresentado no mesmo Opinião em 2001. Incrível terem se passado 11 anos. Talvez porque àquela época a galera não estivesse frequentando muito os shows de metal. E isso pode ter refletido no desempenho da banda naquela noite. Para exemplificar, no mesmo período bandas seminais também tocaram no Opinião - Dio, Motörhead e Judas Priest - para um público reduzido. Quem recorda que eles estiveram pela cidade?

Na quarta-feira, com o bar lotado, o clima foi diferente. O Overkill despejou seu repertório de músicas rápidas, muitas ao vivo beirando o punk. Num show correto, sem espaço para virtuosismos, os 32 anos da banda foram contemplado, principalmente o clássico de 1989 “The Years of Decay”, com “Elimination”, “Nothing to Die For” e “E.vil N.ever D.ies”.

O vocalista Bobby Blitz Ellworth, a cara de Tommy Lee Jones, não escondeu sua satisfação em tocar na cidade, e a cada canção, fazia questão de bater um papo com a galera, sem apelar para o português tacanho que outros músicos estrangeiros aplicam por aqui. Foi de inglês mesmo, e foi bem entendido. Ao seu lado, no baixo e backing vocals, o seu colega de início de banda Carlos Verni metia o braço em seu instrumento, em forma de aranha. Os guitarristas Dave Linsk e Derek Tailen não brincam em serviço, e sem perder tempo com firulas, assim como o batera Ron Lipnicki. A banda é simples, o que significa não ser um show inesquecível. Agradável. Ponto.

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