Arte & Agenda

“Pai-de-Deus” celebra 60 anos de carreira de Valter Sobreiro Júnior

Espetáculo em cartaz neste final de semana, no Teatro de Arena, também marca a volta aos palcos do ator João Schmidt

Joao Schmidt vive homem velho que recebe a visita de um jovem, interpretado por Germano Rusch. Ambos estão ligados por terríveis lembranças, que remetem à ditadura.
Joao Schmidt vive homem velho que recebe a visita de um jovem, interpretado por Germano Rusch. Ambos estão ligados por terríveis lembranças, que remetem à ditadura. Foto : Juliano Kirinus / Divulgação / CP

Se as dores da ditadura ainda ecoam, seja na memória do povo ou nos palcos, o apelido dado a um torturador no obscuro tempo da ditadura é o ponto de partida para “Pai-de-Deus”, que estreia em Porto Alegre, no Teatro de Arena (altos do viaduto da Borges de Medeiros, 835). O espetáculo teatral marca os 60 anos da carreira do teatrólogo Valter Sobreiro Júnior e a volta do ator Joao Schmidt aos palcos. As apresentações ocorrem neste sábado, às 20h e domingo, a partir das 18h. A montagem volta para nova temporada de 1º a 3 de julho, no local, onde podem ser adquiridos os ingressos, além da plataforma Sympla.

“Pai-de-Deus” é encenado por Joao Schmidt, homem velho que recebe a visita de um jovem, interpretado por Germano Rusch, onde ambos atuam num orquestrado jogo de forças opostas e complementares. O texto percorre por duas partes centradas nas visitas que o jovem faz ao velho, e onde os conflitos estabelecidos dão conta de memórias terríveis, que ligam os dois a um passado comum: a ditadura militar. Nesse contexto são trazidos à tona culpas, remorsos, desespero e violência, ou seja, todo um painel sombrio a evocar essa época, em que a tirania se impunha aos corações e mentes do país.

"Entre os tantos significados potentes que a releitura desse texto traz, temos também o nosso reencontro, já que o Valter foi o diretor da minha estreia nos palcos, em 1985", destaca Joao. Um dos momentos fortes da peça é a participação de Tania Fayal, por projeções em vídeo "É um depoimento real, de alguém que viveu na pele a tortura", define Joao. "São sentimentos que trazem o espectador a esse período sombrio, em que a tirania se impunha aos corações e mentes do país", observa Germano Rusch. Nascido em 31 de março, no ano em que o golpe militar de 1964 completava 30 anos, Germano acredita que através da arte é possível expor para as diferentes gerações as feridas deixadas, para que não se repitam.
 
João Schmidt nos últimos 20 anos teve sua carreira como produtor artístico e técnico trabalhando com artistas como Leila Pinheiro, Zélia Duncan e muitos outros. Foi no ano de 1985, que despertou a paixão pelo teatro iniciando pelo clássico “Bruxinha que era Boa”, de Maria Clara Machado. Nos anos seguintes atuou em “Funteojuna”, de Lope de Vega adaptação de Valter Sobreiro Jr., e na sequência de autoria do próprio Valter, “Em Nome de Francisco e Maragato.” É neste último espetáculo, que consolida o sucesso de crítica (já obtido nos espetáculos anteriores) e recebe três prêmios, entre eles o do Festival de São José do Rio Preto/SP, e três indicações a ator em papel coadjuvante.

Antes de entrar em turnê por Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, “Pai-de-Deus” teve um momento de laboratório e aquece para convidados e imprensa, rm oito sessões no palco intimista do CT Tholl, em Pelotas. 

 

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