Arte & Agenda

Palco Giratório Sesc celebra 20 edições em Porto Alegre

Festival de artes cênicas ocupa 17 locais da Capital com programação diversa e convidados nacionais e internacionais

Trio Mana Flor convida Fernanda Copatti para show que ganha destaque na abertura do Festival
Trio Mana Flor convida Fernanda Copatti para show que ganha destaque na abertura do Festival Foto : Natalia Hare / Divulgação / CP

Porto Alegre recebe, entre os dias 19 de maio e 3 de junho, a 20ª edição do Festival Palco Giratório Sesc, um dos principais projetos de circulação das artes cênicas no Rio Grande do Sul. Com uma programação que reúne teatro, música, atividades formativas e ações gratuitas em espaços públicos, o evento ocupará 17 locais da Capital com atrações de diferentes regiões do Brasil e convidados internacionais.

Ao todo, serão 63 sessões de apresentações, envolvendo 60 grupos e cerca de 520 profissionais. A programação contempla produções de 15 estados brasileiros, além da participação de pensadores da Argentina e do Peru. Também integram a edição 24 produções gaúchas, fortalecendo o intercâmbio entre a cena local e nacional.

A curadoria do Festival

A curadoria do festival é assinada por Jane Schoninger, coordenadora de Artes Cênicas, Visuais e de Arte Educação do Sesc/RS e curadora do Circuito Nacional do Palco Giratório. Segundo ela, o trabalho de seleção é contínuo e começa muito antes da divulgação da programação oficial.

“Temos uma metodologia de identificação de espetáculos que é sistemática, a programação do Festival desse ano começou a ser identificada em meados de março de 2025, é um processo longo, que requer atenção delicada para tudo o que está acontecendo em diferentes programações no Brasil. Paralelo a essa busca constante de espetáculos, de grupos artísticos e profissionais, a curadoria estabelece uma agenda anual de encontros e conversas que acontecem o ano todo.”, afirma Jane.

A articulação entre as unidades do Sesc em todo o País também é apontada como um dos pilares do projeto. “É uma curadoria coletiva. Somos profissionais que se encontram sistematicamente, seja para assistir espetáculos juntos em alguma determinada programação, mas especialmente para conversarmos sobre as propostas que cada curador traz como possibilidade da programação”, explica Jane. “São curadores que atuam em 23 estados brasileiros, que mapeiam, analisam e discutem espetáculos.”, acrescenta.

De acordo com a curadora, a diversidade de linguagens e experiências norteia a edição deste ano. “A partir do mosaico de espetáculos que são trazidos para serem discutidos na curadoria, emergem fios que entrelaçam os espetáculos selecionados, revelando suas urgências, suas poéticas e os contextos que são produzidos”, comenta.

Entre os eixos curatoriais, Jane destaca a presença do teatro de formas animadas. “Neste ano, a abordagem está em torno das formas animadas. Espetáculos que demonstram diferentes modos de animação, abrindo caminhos para novas formas de relação entre público e cena. Esse eixo ganha força com a homenagem ao tradicional Grupo Sobrevento, de SP.”

A programação também aborda temas ligados ao envelhecimento, memória, juventudes, infância e diversidade. “Outro eixo que orienta o olhar curatorial são as diferentes experiências da vida que a cena convoca: espetáculos que aproximam o público das questões do envelhecimento e da memória; outros trabalhos construídos para públicos específicos, voltados à juventude, e outros voltados para as infâncias”, afirma.

“Por fim, as afirmações de identidades diversas também compõem um dos recortes curatoriais dessa edição, reunindo obras que deslocam perspectivas e/ou reivindicam narrativas próprias, como ancestralidades negras, experiências de pessoas com deficiência, são alguns desses temas.”, conclui.

Destaques e acessibilidade

Para abertura, o espetáculo musical “O Baile da Mana Flor Convida Fernanda Copatti”, apresentado às 20h, no Teatro Simões Lopes Neto (Richuelo, 1089), é a grande atração. O encontro, concebido especialmente para o Festival, aproxima o Trio Mana Flor e a artista gaúcha em uma proposta que articula forró, performance e música brasileira.

Entre os destaques da programação estão a leitura cênica “70!”, com Cacá Carvalho; “O Motociclista no Globo da Morte”, estrelado por Eduardo Moscovis; “Nastácia”, dirigida por Miwa Yanagizawa; “Sozinho com Romeu e Julieta”, da Ave Lola; e “Velocidade”, do grupo mineiro Quatroloscinco – Teatro do Comum. Na música, o festival recebe Larissa Luz com o espetáculo “Rock in Gil” e Marcelo Jeneci Trio.

A programação, que pode ser conferida no site oficial, inclui ainda ações de acessibilidade, espetáculos gratuitos em parques e praças, além do 7º Seminário Palco Giratório.

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