Considerado um dos pioneiros do rock brasileiro, Raul Seixas nasceu em Salvador em 28 de junho de 1945, isto é, há 80 anos e alguns dias. Para lembrar desta data do cara que eternizou canções como “Gita”, “Maluco Beleza” e “Metamorfose Ambulante”, o Grezz (Almirante Barroso, 328) apresenta hoje, às 21h, espetáculo “Raul Seixas, o Musical”. Protagonizado por Bruce Gomlevsky, o espetáculo propõe uma imersão poética no universo criativo de Raul Seixas, conduzindo o público por suas canções, ideias e pensamentos mais profundos ao longo de uma noite insone em seu escritório.
Idealizado e dirigido por Leonardo da Selva, o espetáculo combina dramaturgia original — construída a partir de manuscritos, entrevistas e anotações pessoais do próprio Raul — com mais de 20 músicas de seu repertório. Entre clássicos e faixas menos conhecidas, as canções são apresentadas em versões especialmente criadas para o palco, compondo uma narrativa que revela um Raul Seixas íntimo, vivo e atual.
O ator e cantor Bruce Gomlevsky, vencedor do Prêmio Fita 2024 de Melhor Ator e indicado ao Prêmio APTR 2025, dá vida ao Maluco Beleza em uma performance intensa e sensível. Após 15 anos interpretando Renato Russo nos palcos, Gomlevsky agora se dedica à obra de seu maior ídolo, aprofundando a pesquisa cênica e musical que marca sua trajetória.
O musical já teve mais de 100 apresentações e temporadas de sucesso no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ingressos na Sympla.
Raul Seixas foi um cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista brasileiro, considerado um dos pioneiros do rock brasileiro. Ele foi produtor musical da CBS, durante sua estadia na cidade do Rio de Janeiro e, por vezes, é chamado de Pai do Rock Brasileiro e Maluco Beleza. Sua obra musical é composta por 17 discos lançados durante 26 anos de carreira. Seu estilo musical é tradicionalmente classificado como rock e baião. Seu álbum de estreia, “Raulzito e os Panteras” (1968) foi produzido quando integrava o grupo Raulzito e os Panteras, mas só ganhou notoriedade com músicas como “Ouro de Tolo”, “Mosca na Sopa” e “Metamorfose Ambulante”, estas do álbum “Krig-ha, Bandolo!”, de 1973.
Considerado contestador e mítico, Raul defendia os ideais de uma Sociedade Alternativa, que foram apresentados no álbum “Gita”, de 1974, influenciado por figuras como o ocultista britânico Aleister Crowley. Raul se interessava por filosofia, metafísica, psicologia, história, literatura e latim. Nos anos 1980, sua carreira teve um declínio, mas ele continuou produzindo álbuns que venderam bem, como “Raul Seixas” (1983), “Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!” (1987) e A Panela do Diabo (1989), este em parceria com o vocalista e guitarrista do Camisa de Vênus, Marcelo Nova.
Em 2007, a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Discos da Música Brasileira, onde Raul figurou com dois discos: “Krig-ha, Bandolo! (12°) posição e “Novo Aeon” (53°). Em 2008, a mesma revista promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, cujo resultado colocou Raul em 19° lugar. Ele morreu em São Paulo em 21 de agosto de 1989.