"Me entristeceu muito, porque me parece ruim que haja escritores que vetem outros escritores simplesmente porque divergem politicamente deles, isso revela um espírito pouco democrático", disse Vargas Llosa à imprensa. "De toda forma, acredito que se trata de um grupo muito pequeno e não sei até que ponto seja realmente representativo na intelectualidade argentina", completou o autor de "O Sonho do Celta".
"Conheço muitos escritores argentinos, com alguns estamos de acordo, com outros divergimos, mas estou certo de que nenhum deles pediria a censura e o veto, porque sabe que são absolutamente incompatíveis com a literatura e com a cultura em geral", prosseguiu.
Na terça-feira, intelectuais próximos à presidente argentina, Cristina Kirchner, lançaram uma iniciativa para impedir que o prêmio Nobel de Literatura em 2010 inaugurasse a Feira do Livro de Buenos Aires, ao acusá-lo de "liberal autoritário". Contudo, um dia depois, o governo disse que Vargas Llosa poderá fazer com liberdade seu discurso de abertura da feira, em 20 de abril.
Vargas Llosa agradeceu nesta sexta-feira no Castelo de Chapultepec o presidente Felipe Calderón por lhe outorgar a Ordem de Águia, a máxima condecoração que o governo mexicano dá a estrangeiros, apesar de em alguns momentos ter "criticado severamente o México".
Em 1990, o escritor cunhou no México a expressão "ditadura perfeita" em alusão ao poder exercido de forma consecutiva pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI) durante 71 anos. Anos depois, disse que o México tem "uma democracia imperfeita".