O Ministério da Justiça decidiu que o filme "Aquarius", do diretor Kleber Mendonça Filho, terá classificação indicativa para maiores de 18 anos. A alegação é de que o filme tem cenas de "sexo explícito e drogas".
"Aquarius" foi lançado mundialmente no Festival de Cinema de Cannes, em maio, e ganhou notoriedade quando a equipe e o elenco exibiram cartazes de protesto contra a movimentação política que afastou Dilma Rousseff. A primeira decisão foi publicada no Diário Oficial da União do dia 12 de agosto, e o recurso da distribuidora Vitrine Filmes foi indeferido no Diário desta segunda-feira.
"Eu não quero confabular teorias de que é uma decisão política, porque eu recebi o relatório dos responsáveis e o considerei profissional, supercompleto e, para o meu gosto, técnico até demais", disse Mendonça Filho, por telefone. "Eles não parecem olhar para o filme como um todo", ponderou.
O diretor considera que o longa não está fora de um padrão de classificação relacionada a sexualidade. "'Tatuagem', 'Boi Neon', 'Para Minha Amada Morta' também encaram questões de sexualidade, e desses, 'Aquarius' é o que menos tem conteúdo sexual", afirmou. Os filmes citados foram lançados desde 2013 e indicados para maiores de 16 e 14 anos.
"Assim me parece injusto", considerou Mendonça Filho. Ele afirma que o longa não contém cenas de sexo explícito. "A coisa é bem filmada, é simulada, e isso faz parte do trabalho de cineasta", justificou. A assessoria do Ministério da Justiça ainda não comentou a decisão.
"Aquarius" estreia no circuito nacional no dia 1º de setembro. O filme também será exibido na abertura do Festival de Gramado, na sexta-feira, quando Sônia Braga será homenageada com o troféu Oscarito.
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"Parece injusto", diz diretor sobre classificação indicativa de "Aquarius"
Marcado por protesto político em Cannes, filme ganhou censura de 18 anos no Brasil