O passinho, um estilo de dança criado nos anos 2000 por crianças das favelas do Rio de Janeiro, foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial pelos deputados do estado do Rio de Janeiro no dia 7 de março, reconhecendo uma expressão cultural nascida nos bairros populares. Tudo começou com movimentos inteligentes das pernas, passos fortes para frente e para trás, ao ritmo do funk brasileiro. Depois, entram os movimentos de break dance, samba, capoeira, frevo ou que estivesse por perto.
Os criadores do passinho eram crianças com muita flexibilidade e sem problemas nas articulações. Eles começaram a experimentar novos movimentos em casa e passaram a mostrá-los em festas de funk nas comunidades e, o mais importante, a compartilhá-los na Internet. A dança também se tornou um meio para os jovens se movimentarem sem problemas entre comunidades controladas por gangues de traficantes rivais. Além de oferecer às pessoas da favela uma nova saída, longe da vida no crime ou do sonho muito comum de se tornar uma estrela de futebol.
O produtor brasileiro Julio Ludemir ajudou a captar esse espírito e a descobrir talentos organizando "batalhas de passinho" no início dos anos 2010. Nestes eventos, os jovens mostravam os seus passos perante um júri que selecionava os vencedores. Ludemir descreve o estilo como uma expressão da "antropofagia" brasileira, o conceito modernista de canibalizar elementos de outras culturas para produzir algo novo.
O passinho foi declarado Patrimônio Estadual pela Assembleia Legislativa do Rio, via uma lei proposta pela deputada estadual Verônica Lima. A lei foi aprovada por unanimidade e sancionada no dia 7 de março. Em nota, Verônica Lima disse ser importante auxiliar a "descriminalizar o funk e as expressões artísticas dos jovens" nas favelas.