Amor, dor de amor, desejo, ilusão, sexo...coisas de todo mundo e de todos os tempos. “Eu Te Amo”, com direção de Arnaldo Jabor, é considerado um texto sexy. Não é. É um texto sobre a sexualidade. Às vezes é drama, às vezes é comédia - é patético como nossa solidão afetiva.
O espetáculo mostra um casal, suas diferenças e questionamentos sobre o amor e os relacionamentos. “Eu Te Amo” fala de desejo e atração momentâneos, mas também da carência que vem depois, de um certo vazio, da falta de amor, de rejeição. Uma peça sobre o que seria uma história de amor. Uma fantasia romântica sobre o desejo e a paixão. A peça se dirige a homens e mulheres que buscam entender melhor o amor e o relacionamento de um casal. O texto que deu origem ao filme de 1981, se renova, não só por tratar de afetos contemporâneos como paixão, rejeição, desejo, carência, derrota, como também por brincar com a fronteira entre verdade e mentira, ficção e realidade, que é, praticamente o espírito da atualidade.
Em “A Descida do Monte Morgan”, Ary França vive o apaixonante e dividido Lyman Felt, um homem de sucesso, bígamo, filho de judeus e albaneses, que conseguiu fundar sua própria empresa de seguros e tornar-se um dos homens mais respeitados dos Estados Unidos. Fiel a seus sentimentos única e exclusivamente, Lyman envolve suas duas mulheres, interpretadas por Lavínia Pannunzio e Samya Pascotto, numa vida de mentiras. No entanto, a peça não trata apenas de uma típica história de triângulo amoroso, tampouco um questionamento moral sobre monogamia e bigamia. Vai além dos questionamentos plausíveis de uma traição.
A montagem de Villaça envolve o espectador numa história eletrizante, onde as personagens transitam por estados, emoções e tempos, resultando num jogo ágil e teatral por excelência.