Para desempenhar essa tarefa, seu chefe manda seu assistente, que compete o tempo todo por ser mais bonito, e no decorrer da trama passa a ser rejeitado. Como solução, ele resolve fazer uma cirurgia plástica, mas o médico não sabe nem por onde começar o procedimento, de tanta coisa a ser feita. A partir de então, se torna lindo e é louvado por todas pessoas. Também em cena está sua esposa, que se transforma numa idosa, cheia de cirurgias, sua amante no futuro.
"Como feio ele era menos confiante e conforme se transforma, seu caráter também muda, virando afetado e arrogante", diz Mirah sobre a figura central, que entra em crise de identidade e não sabe mais quem é, a partir de uma sequência de fatos. A peça lança mão do riso como instrumento de reflexão acerca das convenções que criamos, do universo das aparências e do que se é capaz de fazer em nome da beleza, da fama e da ganância. São evidenciados temas da atualidade, como o conflito entre as múltiplas identidades do homem contemporâneo e o paradoxo da construção de uma individualidade autêntica, o que remete ao conceito de sociedade líquida de Zygmunt Bauman.
A peça foi concebida há dois anos, no Departamento de Arte Dramática da Ufrgs (DAD) e em julho fez temporada no Instituto Goethe, que apoiou o projeto. Em agosto participou do Circuito Universitário DAD/Sesc, itinerando por Passo Fundo, Santa Maria e Pelotas e em setembro integrou a Descentralização do Porto Alegre em Cena, com uma apresentação no Circo Girassol.
Com texto de Marius Von Mayenburg e direção de Mirah Laline, que também assina a trilha sonora, o espetáculo tem no elenco Rossendo Rodrigues, Danuta Zaghetto, Maurício Casiraghi e Paulo Roberto Farias. A peça pode ser vista nas sextas-feiras e sábados, às 21h, e domingos às 20h, ao custo de R$ 20.