A obra de estreia de Anya Reiss, hoje com 21 anos, foi escrita quando a autora tinha apenas 17 e estreou com sucesso de crítica no Royal Court Theatre, em julho de 2010, rendendo-lhe vários prêmios. "Não gosto de falar da peça mencionando a idade da autora, porque a considero um achado da dramaturgia. Ela fez uma comédia em cima de um drama familiar, escreve em gags e utiliza artifícios das comédias clássicas. Parece um vaudeville: abre e fecha a porta, fala o que não pode. Quando vimos, achamos que fosse algo banal, mas daqui a pouco vai fervendo e você vê o milagre", declara Denise Fraga.
A atriz representa Vicky, que, apesar de amar o marido, Nick (Kiko Marques), não consegue perdoar uma traição, agredindo-o sistematicamente e depois fazendo as pazes. Em meio a esta crise, o casal não percebe que a filha Delilah (Julia Noaves), às vésperas de completar 13 anos, está descobrindo a sexualidade e se apaixona por Daniel (Kauê Telloli), rapaz de 21 anos que aluga um quarto na casa. A situação piora quando aparece sua namorada, Carol (Virgínia Buckowski), no momento em que ele está dividido entre o desejo e a moral. "A Vicky é uma das personagens mais deliciosas que fiz. É engraçada de tanto mau humor, uma mulher à beira de um ataque de nervos, que gosta de ter um motivo para reclamar. Eles falam a mesma coisa sempre. Quantos casais conhecemos que se nutrem pelo desgaste?", questiona.
O cenário é um dos pontos fortes da trama: uma casa com dois quartos em cima e sala e cozinha embaixo, em que os atores tomam o ambiente e não saem de cena. Segundo Denise, é como se você estivesse vendo a casa de seu vizinho sem parede.
Várias facetas de cada personagem
Para a atriz, o bacana da peça é a maneira que foi escrita, um texto prismático, em que ninguém é completamente bom nem ruim. Em foco está a adolescente com suas vaidades e lados ruins, mas dando uma aula de maturidade. "Muitas vezes, os pais não são maduros, mas cobram dos filhos. Digo sempre que não é uma temática adolescente. Recebemos o público na porta sempre e vemos famílias inteiras chegando. Brinco que depois vai ter ''DR'' (discussão da relação)", adverte. Denise acrescenta que o incrível é que se está em cena discutindo e a plateia rindo. "Quando você ri, você está olhando de fora para si mesmo", finaliza.