Tudo começa quando o príncipe troiano Páris, em visita à Grécia, rapta Helena, mulher do rei Menelau, atraindo a ira dos gregos. O resgate fica a cargo do general Agamenon, dividido entre o dever e o amor paterno. Seu conflito reside na previsão do oráculo de Delfos, que determina o sacrifício de uma virgem, sendo a escolhida sua primogênita, Ifigênia, em troca de ventos favoráveis para o avanço da expedição de mil navios, que está parada. O fato gerou a revolta de sua esposa, Clitemnestra, irmã gêmea de Helena, que tramou uma vingança em sua volta à cidade, dez anos depois, que culminou em sua morte.
A montagem agregou a cena complementar do destino das troianas, mulheres que tiveram seus maridos assassinados e foram transformadas em escravas. A trilha é de canções da mitologia grega e do álbum "The Final Cut", do Pink Floyd, sobre o espírito guerreiro do homem. Esta não é a primeira vez que o diretor incursiona pelo universo do rock em suas criações: em "Édipo" optou pelos Rolling Stones, dada a figura demoníaca de seu líder, Mick Jaegger. A origem de tudo foi quando viu "Romeu e Julieta", de Antunes Filho, com trilha dos Beatles.
"Nosso planeta é cada vez mais sacudido por revoltas e quedas de ditaduras. Estreamos na semana em que os EUA orgulhosamente afirmam que mataram o terrorista número um do mundo. Está no DNA do homem invadir espaços e as razões são sempre as mesmas: territoriais, religiosas, econômicas ou sentimentais. No caso, Troia era mais rica que Atenas, que passava por uma crise econômica brutal. Os gregos se aproveitaram de um episódio individual, do rapto de uma grega por um troiano, para se locupletarem", diz Alabarse.