Em meio a um cenário de vulnerabilidade e sofrimento, causado pelo desastre climático no Rio Grande do Sul, a arte pode ser um “respiro” para as pessoas que precisaram sair de suas casas. Com esse objetivo, a peça “Velha D+” realizará oito apresentações gratuitas em abrigos organizados para acolher refugiados das enchentes que assolaram Porto Alegre. O projeto foi financiado pelo FUMPROARTE, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
A primeira apresentação acontecerá neste sábado, dia 11, às 16h nas dependências do Clube Caixeiros Viajantes (rua Dona Laura, 646), no bairro Rio Branco, em Porto Alegre, que está abrigando mais de 70 pessoas.
O espetáculo terá uma apresentação seguida de uma conversa, e ocorrerá em abrigos com uma estrutura considerada mínima de um local anexo (espaço cênico de 5 metros de largura x 3 metros de profundidade, com fonte de energia elétrica, banheiro e acomodações para a plateia), onde a apresentação possa ser feita sem interferir na logística do funcionamento. Mais informações pelo telefone 51 99677 8040.
Com temática feminista e anti-idadista, "Velha D+" é um monólogo que trata de questões sobre o envelhecimento na mulher e pressões sociais. Teatro, música e dança compõe a performance da atriz Fera Carvalho Leite, com a direção de Bob Bahlis.
A partir do texto original de Bob Bahlis e de inspirações em Clarissa Pinkola Estés (Ciranda das Mulheres Sábias), Naomi Wolf (O Mito da Beleza), Anne Kaupf (Como Envelhecer), Miriam Goldenberg (A Invenção de Uma Bela Velhice), e Madonna, a peça trata de questões relacionadas ao preconceito de idade, a vida profissional x maternidade e tantas outras pressões que as mulheres sofrem ao amadurecer numa sociedade machista e idadista.
Ella, que está com mais de 40 anos, num casamento que sobreviveu à pandemia e vive o luto pela perda da avó vítima da COVID-19, vai até a casa na floresta onde foi criada pela da avó e reflete sobre a perigosa distância que existe entre o que sente com a passagem do tempo e o que está de fato preparada em relação à isso. Uma história de uma família de mulheres e um retorno ao refúgio da herança familiar a leva ao encontro com sua alma ancestral e seu espírito jovem e selvagem na busca de sua identidade e de uma bênção para ser quem ela é. Um ritual, uma cura, um movimento para dentro de si para então seguir adiante melhor, mais livre, mais feliz.