Performance une teatro e cinema na Cinemateca Capitólio em Porto Alegre
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Performance une teatro e cinema na Cinemateca Capitólio em Porto Alegre

Espetáculo com a atriz Helena Ignez terá a colaboração do artista Nuno Ramos

Por
Correio do Povo

Helena Ignez irá protagonizar espetáculo nesta terça

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O projeto parte de um paradoxo: unir o elemento teatral à fantasmagoria fílmica, reunindo-os perante o público. Durante 24 horas, a atriz Helena Ignez, hoje com 80 anos, irá conviver com a produção em que estrelou em 1970, “Copacabana Mon Amour”, de Rogério Sganzerla. A performance se inicia às 20h desta terça-feira, na Cinemateca Capitólio Petrobras (Demétrio Ribeiro, 1085, Centro Histórico). As sessões contínuas com duração de até 1h30min permitirão ao público acompanhar a performance, que se encerrará com a última sessão às 20h de quarta-feira. 

As sessões são gratuitas com entrada exclusivamente mediante retirada de senhas. Durante as sessões a atriz poderá comer, sentar-se, descansar ou não fazer nada; poderá repetir as falas, gritar e até mesmo pedir para sair; poderá aplaudir e vaiar. “Nós criamos um palco sobre as cadeiras e ali colocamos elementos com os quais ela pudesse sobreviver por 24 horas e fazer um pouco o dia a dia dela. Vai ser o tempo biológico dela, ela vai dormir, comer, ir ao banheiro e também a interação com o filme, contracenar consigo e fazer uma série de coisas que pensamos juntos”, afirma o artista Nuno Ramos, que irá colaborar com o espetáculo.  

A própria presença desloca todo o sentido do filme, atualizando e abrindo o que tinha se tornado definitivo na edição. O público assistirá assim a um filme “acompanhado” por sua protagonista, e Helena terá a oportunidade de “acertar as contas" com um filme que marcou profundamente a sua carreira. 

“Esta espécie de convivência impossível entre o tempo da arte, um tempo muito alucinado, e o tempo real, biológico. Alguém que está lá e está aqui. Achei a Helena absurdamente corajosa. Mais do que o desgaste físico que houve em ‘24 Horas de Globo’, há dois anos, no qual os dois atores se entregavam em cena, reagindo à programação de TV, neste caso, ela está no corpo de quase 50 anos depois. Como ela vai lidar com este álbum de recortes? Será algo totalmente alucinado, uma experiência muito diferente”, explica Nuno. 

Retorno da experimentação 

Sobre o 33º Festival de Arte, a coordenadora Adriana Boff ressalta que as últimas três edições foram marcadas pela volta da experimentação. “Isto era uma coisa que era muito comum no festival nos anos 1990. Teve um trabalho do Zerbini e do Barrão em 2000, que eles quebravam um carro, numa performance no estacionamento do Centro Municipal de Cultura, que marcou muito o festival”, observa Adriana. 
 
Após a maratona na Capitólio, que será transmitida ao vivo pela página do Atelier Livre no Facebook, Nuno e Helena estarão na quinta-feira, das 14h às 16h, no Instituto de Cultura da PUCRS (7º andar da Biblioteca Central, av. Ipiranga, 6681) para a atividade “Cinema ao Vivo – Conversa com Nuno Ramos e Helena Ignez”, com o artista propositor do projeto e atriz protagonista do filme, mediados pelo poeta Diego Grando e pela professora de cinema Helena Stigger. Inscrições pelo link bit.ly/conversacinema.