A medida é para preservar a identidade cultural da estrutura e garantir a permanência dos comerciantes. Eles temem perder seu espaço devido à intenção da Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) de administrar o local por Parceria Público-Privada (PPP) ou concessão. Inaugurado em 1932, o local teve cedidos os espaços localizados na parte inferior, em 1972, aos comerciantes.
Um documento foi entregue à Comissão de Educação, Cultura, Esportes e Juventude da Câmara de Vereadores, propondo estudo e levantamento da identidade sociocultural e econômica da obra de arte, visando ao futuro registro do patrimônio. O que pesa contra os permissionários é o alto índice de inadimplência. Segundo a Smic, apenas sete dos 24 comerciantes estão em dia com o aluguel. A dívida é superior a R$ 200 mil.
Segundo o presidente da Associação Representativa e Cultural dos Comerciantes do Viaduto Otávio Rocha (Arccov), Adacir Flores, os comerciantes querem pagar, mas com renegociação em conjunto. De acordo com ele, a falta de pagamento seria consequência do estado em que está o viaduto. Com a depredação do local, o faturamento diminuiu.
Em Porto Alegre, são considerados patrimônios imateriais a Feira do Livro e a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes. A lei municipal que prevê o registro foi aprovada em 2004. Para o coordenador de Memória Cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Luiz Antônio Custódio, o pedido está em estudo junto com outros, mas para o caso do viaduto há outras ferramentas de preservação. "Seria mais cabível transformá-lo em um memorial do que em uma classificação como patrimônio imaterial."